A elegância do ouriço

IMG221Belo livro, sem dúvida.
Mas peca pelo excesso de devaneios e pelo final imprevisivelmente clichê.

*Companhia das Letras
R$ 46,00

As piores capas de livros de todos os tempos

(A minha favorita, confesso)

Esse Tumblr reúne as melhores piores capas de livros de todos os tempos. Tem coisas surreais!

Diversão garantida para este feriadinho com cara de dia normal de trabalho.

Livros para a próxima parada

Livros para ler nas férias não são os mesmos que a gente lê fora delas né? Eu pelo menos, sempre procuro uma leitura mais leve, mais fácil, para esse momento em que o computador e o celular dão lugar ao chinelo e ao sofá. É um momento de muita alegria, gente! (a pessoa que não vai tirar férias nesse ano).

Lembrando disso, eu tinha separado essa matéria que saiu na revista São Paulo do dia 06 de novembro de 2011 (é, faz tempo. Deixemos o tempo de lado hoje. Até porque, se eu começar a falar disso, vou lembrar o quão atrasada com os posts eu estou #vergonha). Enfim, tinha separado, agora, mexendo na minha bagunça, eis que eu o encontro! E achei legal dividir aqui na blogsfera.

É sobre livros para ler nas férias, sim, um assunto batido, que todo ano é explorado à exaustão. Mas, neste caso, são dicas que têm a ver com alguns destinos turísticos. Se você tá pensando em viajar, vale a pena levar um desses livros na mala. Como dizem as blogeiras de moda “tipo, são essenciais em qualquer mala básica”.

Boa viagem =)

 

Destino: Nova York, EUA

Livro: “Só Garotos”, Patti Smith
(por Adriana Ferreira)

“Os caminhos de Patti Smith e os meus se cruzaram em Nova York. A primeira vez, no verão de 2001, quando ela me atraiu ao Lincoln Center, um dos mais incríveis centros culturais que já estive. Ela fez ali um show gratuito, ao ar livre, e eu cantei ‘People Have the Power‘ com emoção e o punho em riste.

Nosso segundo encontro ocorreu neste ano (2011), quando tropecei em Patti Smith estampada num cartaz na vitrine da Three Lives & Company, uma pequena e simpática livraria na esquina da Waverly Place com a rua 10 (em Greenwich Village) , em frente ao aconchegante Momo Cafe. ‘É uma ótima compra’, disse a vendedora.

Foi assim que ‘Só Garotos’ (ou ‘Just Kids’, na versão em inglês), a história do início da carreira de Patti Smith ao lado do fotógrafo Robert Mapplethorpe tornou-se o meu guia nova-iorquino. Por causa do livro, desenvolvi uma obsessão pela Chelsea, bairro onde os dois viveram seu período mais intenso. Em busca do Chelsea Hotel, onde Patti morou, consolou Janis Joplin e encontrou Bob Dylan e Jimi Handrix, descobri dezenas de galerias de arte.

Conheci trabalhos de jovens nova-iorquinos, instalações de artistas contemporâneos do Oriente Médio, visitei espaços clássicos, como a galeria de performances The Kitchen, e me surpeendi com um grafite gigante da dupla brasileira osgemeos ( <3 ). Fugindo da chuva, comi no Chelsea o melhor cupcake de Nova York, de banana com cobertura de creamcheese e limão, no Billy’s Bakery.

Para incorporar o estilo de vira-lata de Patti, comprei sushi numa loja do Chelsea Market ( <3 ) e fiz um pique-nique solitário no High Line ( <3 <3 ), um espetacular parque suspenso, construído sobre uma linha de trem desativada.

Também li páginas e mais páginas sentada nas mesas do restaurante Pink Tea Cup, só para devorar os mesmos ovos mexidos que Robert comeu antes de fotografar Patti para a capa de seu primeiro disco (Horses) ”

OBS: Quando fui para Nova York, no ano passado, levei Extremamente Alto, Incrivelmente Perto, do Jonathan Safran Foer, que, embora não seja tão levinho assim, é maravilhoso, um dos meus livros favoritos, e super nova-iorquino (tem post dele aqui) E, por coincidência – eu ainda não havia lido essa matéria quando fui pra lá, comprei Just Kids, numa livrariazinha fofa. E não, ainda não li.

*Editora Companhia das Letras
R$ 40,00

Destino: Havana, Cuba
Livro: “A Trilogia Suja de Havana”, Pedro Juan Gutierrez
(por Roberto Kaz)

“Ao sair do aeroporto, só havia um táxi, que dividi com um executivo. Ele comandava uma unidade do grupo de hotelaria Meliá – e, por isso, seria inquirido pelo motorista durante o trajeto a sua casa. ‘Quanto você ganha?’, ‘Onde depositam seu dinheiro?’

O motorista era doutor em química. Mas doutor não ganha gorjeta em dólar. Por isso, virara chofer.

De certa forma, eu já havia me preparado para situações como essa. Um mês antes, lera ‘A Trilogia Suja de Havana’, livro de contos do cubano Pedo Juan Gutierrez. Conhecera, assim, parte da “fauna” que encontraria a partir dali: Literatos, policiais, jornalistas, médicos, todos improvisando para equilibrar as contas no fim do mês.

Conhecera, também pelo livro, personagens que se esgueiram pelo Malecón (calçadão que está para Havana como o de Copacabana está para o Rio). Homens e mulheres desocupados, interessantes, interessados.

*Editora Alfaguara Brasil
R$ 50,00

Destino: Dublin, Irlanda
Livro: “Ulisses”, Jaimes Joyce
(por Alcino Leite Neto)

Se há uma cidade que foi reinventada por um livro, e um livro que se construiu inteiro sobre uma cidade, estes são Dublin e “Ulysses”, de James Joyce (1882-1941). É uma das mais fascinantes conjunções de espaço urbano e espaço literário. Publicado em livro em 1922, “Ulysses” narra (em mais de 800 páginas, na tradução de Antônio Houaiss) um dia na vida de Leopold Bloom, em 16 de junho de 1904.

É um dia qualquer, que Joyce configura como o da odisseia de um homem fatigado num mundo sem deuses nem heróis. é uma experiência inigualável ler o livro e percorrer a Dublin de “Ulysses”, desde a Torre Martelo (onde começa o romance; há um pequeno museu no local) até a casa de Bloom, na rua Eccles, nº 7.

Há tours que ajudam a refazer os percursos do livro, que incluem passagens pelo gostoso Davy Byrne’s Pub, entre outros locais da “adorada desdourada Dublin”.

*Editora Alfaguara Brasil
R$ 90,00

Destino: Paris, França
Livro: “Paris Não Tem Fim”, Enrique Vila-Matas
(por Raquel Cozer)

Alguém precisava renovar as preferências literárias para o turista que vai a Paris, e Enrique Vila-Matas fez esse favor com “Paris Não Tem Fim”, romance que resulta de sua busca por emular as vivências de Hemingway em “Paris É Uma Festa”.

A Paris do autor catalão, quase meio século mais nova que a do americano, começa depois do Maio de 68. Isso significa que, além de rememorar endereços frequentados por Hemingway, Fitzgerald e companhia, ele apresenta outros, nos quais circulam Marguerite Duras (de quem Vila-Matas alugou quarto na rue St. Benoit), Roland Barthes e nomes da “nouvelle vague“.

Parte da história se passa nos anos 2000, quando Vila-Matas retorna à cidade e constata que ambientes outrora amados por Hemingway, como Petit Bar e o Café de Flore, tornaram-se ruidosos lugares-comuns, cheio de “gente feia, muito embriagada”.

*Editora Cosac Naify
R$ 60,00

(a ilustração fofa da capa é daqui)

Destino: Londres, Inglaterra
Livro: “Um Dia”, David Nicholls
(por Raquel Cozer)

O ar em Londres é “uma coisa que se pode enxergar, como um aquário malcuidado”. Tinha lido a descrição em “Um Dia”, de David Nicholls, pouco antes de descer na estação de Waterloo, e concluí que não poderia haver descrição melhor: aquela tarde pesada, com cara de noite, era um aquário malcuidado cobrindo a cidade.

A Londres de Nicholls não é a cidade cheia de referências históricas, mas sim a de quem mora lá e nem repara nessas coisas. Os personagens alugam quartos decadentes no bairro Earls Court e odeiam “Convent Garden, com suas bandas de flautas peruanas”.

Os críticos elogiaram, os leitores garantiram a presença nas listas de best-sellers (ao meu ver com o livro, no trem para Raynes Park, meu anfitrião tirou a dúvida: “O que há nesse romance que para qualquer lado que você olhe tem alguém lendo?”) e a diretora Lone Scherfig transformou em filme. Por aqui, estreia em novembro.

*Editora Intrínseca
R$ 30,00

OBS: Li esse livro no começo do ano e amei. O filme, por outro lado, me decepcionou muito, para não fugir à regra. Tem um post sobre o livro aqui. Desses fofos, que a gente se apaixona pela personagem e chora no final.


Destino:
Pamplona, Espanha
Livro: “O Sol Também Se Levanta”, Ernest Hemingway
(por Gustavo Fioratti)

Sou particularmente contra qualquer entretenimento que envolva animais. Mas confesso que guardo na memória, com carinho, a leitura de “O Sol Também Se Levanta”, de Ernest Hemingway, pelas ruas de Pamplona (Espanha).

Um trecho do livro descreve a famosa Festa de San Fermín, evento marcado pela corrida de touros pelas ruas estreitas do centro da cidade. Homens corajosos correm entre os animais, e as sacadas dos pequenos prédios espalhados por essas ruas ficam cheias de turistas, que alugam os apartamentos dos habitantes da cidade para poder ver a farra de camarote.

O livro também passa os olhos por outros lugares da cidade, como a charmosa plaza del Castillo, onde os lavradores costumavam embarcar em direção à lavoura. Ainda parece ser um lugar tranquilo, como na Espanha de 1920.

*Editora Betrand Brasil
R$ 40,00
Destino: Buenos Aires, Argentina
Livro: “Santa Evita”, Tomás Eloy Martínez
(por Adriana Küchler)

Uma Buenos Aires nada turística, em que se busca um misterioso “tanguero” ou se persegue o corpo da heroína nacional, a primeira-dama Evita Perón, é o que oferece Tomás Eloy Martínez em “O Cantor de Tango” e “Santa Evita” – obras que me guiaram quando morei entre os “hermanos”.

O personagem Bruno Cadogan me apresentou ao meu café favorito, o Británico, bem frequentado por Borges Sobato. E ao labiríntico bairro redondo do Parque Chas, “interstício que divide a realidade das ficções de Buenos Aires”, cujo mapa rabisquei num papel, em tempos de nada-smartphones.

Martínez também me mostrou o Palácio das Águas – construção mais bonita da cidade por fora (dentro, é um museu de privadas) – onde seus militares tentaram esconder a Evita embalsamada. Eva Perón acaba no cemitério da Recoleta, necrópole das mais lindas, e meu passeio preferido nas portenhas tardes de domingo.

*Editora Companhia das Letras
R$ 67,00
Destino: Tóquio, Japão
Livro: “O Sol Se Põe em São Paulo”, Bernardo Carvalho
(por Tereza Novaes)

Como é comum nos livros de Bernardo Carvalho, esse é um romance de muitas tramas.

A que me atravessou durante minha viagem ao Japão foi justamente aquela que mais se aproximava de minha história pessoal: A de um descendente de japoneses que vista pela primeira vez o país de seus antepassados.

Assim como o narrador do livro, sofri com as ruas sem nome e com um certo espírito de indiferença dos japoneses. Apesar de me parecer com eles, não conseguia me comunicar na língua local.

Comum também à rota turística, o livro passa por Kyoto na década de 1940, com seus belos parques e templos, entre eles, o de Shimogamo, em cujos arredores o escritor da trama passa parte da vida.

O mais incrível é que, ao vivo, esses cenários parecem congelados no tempo.

*Editora Companhia das Letras
R$ 39,50

O ano do pensamento mágico

 

Numa noite, véspera de ano-novo, a jornalista e escritora norte-americana Joan Didion, casada há 40 anos com o também escritor John Gregory Dunne, está voltando para a casa com o marido após uma visita à filha no hospital, internada há algumas semanas com pneumonia.

Joan chega em casa, acende a lareira, faz o jantar, põe a mesa, enquanto John está sentado na poltrona lendo e tomando uma dose de whisky.

Antes que conseguissem jantar, John sofre de uma parada cardíaca. Cai sobre o prato de comida, numa cena que Joan descreve como “achei que fosse brincadeira”.

É assim, logo de cara, de supetão, que começa o “O Ano do Pensamento Mágico“, que relata, em primeira pessoa, um ano inteiro após a morte súbita do marido. Um ano em que ela desejava estar só para que ele pudesse voltar. Um ano em que ela não foi capaz de doar as roupas e sapatos favoritos dele, para que ele tivesse o que vestir quando chegasse. O ano do pensamento mágico.

Por isso, é como se ela não estivesse vivendo a realidade. Anestesiada pela dor, a autora meio que flutua pelos lugares e fatos, e narra as histórias após a morte de John usando figuras como “ouvi minha voz dizer que sim”. É como se ela simplesmente não estivesse mais lá.

Apesar da dor e da dificuldade em acreditar e aceitar o ocorrido, durante os primeiros meses após a morte de John, Joan se dedica a acompanhar a filha pelos hospitais dos Estados Unidos e ler livros sobre a doença de Quintana, a filha única que leva meses para se curar, e sobre o luto. O que fazer agora? “A vida muda rápido. A vida muda num instante. Você senta para jantar e a vida que você conhecia acaba de repente”.

Com isso, a autora se mune de informações para poder passar pela fase difícil. “Em tempos difíceis, leia, aprenda, trabalhe em cima da coisa. Pesquise a literatura a respeito. Informação significa controle”. Essa foi uma das passagens que me fez refletir e querer guardar a lição pra sempre.

Mas não foi a única. Um livro sobre luto, bem escrito do jeito que é esse, nunca tem apenas uma lição pra ensinar. Outra coisa interessante que a autora conta é que “quando choramos nossas perdas, ficamos tão transtornados, que a gente chora, para o bem ou para o mal, também por nós mesmos. Pelo que nós éramos. Pelo que não somos mais”.  A dor e a autopiedade andam juntos.

Para cada detalhe que acontece, cada objeto ou coisa que Joan olha – a queda da neve, a lavanda no jardim do hospital, a comida servida – ela lembra de alguma história, de alguma passagem com o marido. E é esse o gancho que ela usa para narrar como foi viver ao lado de John até o dia 30 de dezembro de 2003, quando ele sai de casa, já sem vida, numa ambulância.

O livro é bom – e dane-se, vou usar (mais) um clichê – e é pra ler com um nó na garganta. Durante a semana que eu li, sonhei com a história, chorei me sensibilizando, me emocionando, e pior, com medo que algo parecido me acontecesse.

Acho que a única falha do livro é que, logo após a morte de John, Joan fica dividida entre o luto e os cuidados com a filha, que se arrastam por meses. De repente, a filha sai de cena, sem mais nem menos, como se ela estivesse se curado e isso não tivesse mais importância. Parece que fica um buraco. Se é que dá pra falar de buracos num livro sobre perdas.

No final, ela narra o que acontece com Quintana, mas numa breve passagem. Acho que dura um parágrafo,  se não menos.

O livro é pesado, mas por ser bem escrito, a leitura flui. Não levaria para as minhas férias, mas indico para os dias mais “normais”. É uma bela reflexão.

 

Alguns anos depois, em 2010, Joan lança mais um livro – Noites Azuis – com o desdobramento da história da filha, Quintana.Você consegue imaginar o que acontece? Aqui tem um texto lindo – “A mulher que restou”, da Eliane Brum, que, coincidentemente foi publicado hoje, no mesmo dia em que eu fiz esse post, e conta o que aconteceu na sequência.

 

 

*Editora Nova Fronteira
R$ 24,90

 

Meu pescoço é um horror

Esse é o título de um dos livros da escritora, jornalista e roteirista, Nora Ephron.

Estava à procura de um livro inteligente, mas ao mesmo tempo divertido, para dar de presente a uma amiga que fazia aniversário, e eis que surgiu essa grande publicação lá em casa (via @IvanHM).

Meu Pescoço é um Horror é um livro de ensaios da escritora que fez o roteiro de Harry & Sally, do Wood Allen, entre outros filmes. Junto com esse, veio também Não me Lembro de Mais Nada, outra coletânea incrivelmente divertida, que reúne assuntos de mulher. Mas não de mulherzinha.

Desde amantes, filhos, cremes e depilação, passando por gastronomia e amigas, os livros são um compliado de palavras inteligentes e histórias bem escritas.

Claro, lemos os dois livros, demos de presente à amiga, compramos mais, demos de presente a outra amiga, e está na minha super lista de indicações.

Depois desses dois, ainda compramos um romance dela, O Amor é Fogo, em que ela narra seu próprio divórcio, numa mistura de realidade e ficção. Mesmo com um tema difícil, o livro consegue ser engraçado. Sacadas inteligentes e bem-humoradas fazem a tragédia da separação ser algo mais leve. Típico de quem ri de si mesmo.

Indiquei pra minha mãe, que não achou tanto o Meu Pescoço engraçado e preferiu Não Me Lembro, ao contrário de mim. Mas ambos são uma boa pedida.

 

Nora Ephron faleceu em junho deste ano, aos 71 anos, de pneumonia, devido a uma leucemia. Triste triste eu só ter descoberto ela depois. Mas antes tarde <3

 

*Os três livros são da Rocco, e custam de R$ 21,50 a R$ 26,00.

Dicas de livros por Vogue Brasil

A Vogue deste mês preparou uma lista de dez livros que são “leitura obrigatória” como diz o título da matéria (assinada por Mariana Timóteo).

Como dica é sempre bom, bora dividir. Segundo a revista, esses são “os melhores livros dos últimos meses”.

Eu não li nenhum deles ainda, mas meus favoritos são Bonsai, Os Imperfeccionistas (claro), A Trama do Casamento, O Céu dos Suicidas (com um certo medo do que pode vir por aí) e A Viagem de Cem Passos (morri de vontade de dar de presente pra váááários amigos!).

 

Eterno enquanto dure

Desde Bolãno, a crítica não se empolgava tanto com um escritor chileno. Bonsai marca a estreia de Alejandro Zambra. Curtíssimo, dá pra ler numa ponte aérea – o que, no entanto, não tira o impacto da obra. “No final ela morre e ele fica sozinho”, Zambra surpreende logo na primeira frase. Assim como Bolãno, ele faz poesia em forma de prosa.

*Editora Cosac Naify, R$ 23,00

Quiz show

Roteirista de sucesso, David Nicholls virou best-seller com Um dia. Anterior, Resposta Certa só agora ganha tradução. As referências pop e o retrato da Inglaterra dos anos 80 continuam ali, assim como os ótimos diálogos. É 1985, e Brian Jackson sonha vencer um programa de perguntas e respostas na TV. A obra diverte e mostra como os ingleses são exímios na arte de rir de si mesmos.

*Editora Intrínseca, R$ 30,00

Nem tudo é verdade

O próprio Zuenir Ventura diz que vários trechos de seu primeiro romance, Sagrada Família, são autobiográficos, mas que não lembra direito o que é verdade e o que foi inventado – coisas da memória, oras. Com nostalgia e um ótimo senso de humor, ele reconstrói o Brasil dos anos 40 até um passado não muito distante por meio de uma cidade fictícia e personagens cativantes.

*Editora Alfaguara, R$ 37,00

Belo furo!

“São tão melindrosos quanto os artistas de cabaré e tão teimosos quanto operários”, é a análise dos jornalistas feita por um personagem de Os Imperfeccionistas, do inglês Tom Rachman. Cada capítulo funciona como um conto e é dedicado a um personagem de um decadente jornal de Roma. Há o freelancer de um caráter duvidoso que inventa uma matéria pra agradar aos chefes; uma redatora espirituosa que substitui o nome de Saddam Hussein por Satão Hussein; e uma editora engajada que briga por mais destaque para a África no noticiário internacional. Mesmo quem não trabalha na redação – e não sabe, portanto, o tanto de verdade ali descrito – vai se deliciar.

*Editora Record R$ 42,00

Liga da justiça

Ainda não publicado no Brasil, All My Friends Are Superheroes, do roteirista canadense Andrew Kaufman, virou hype na Europa. Nele, todos os amigos de Tom têm um quê de super-heróis: sua ex- namorada é a procrastinadora Someday; um ex-cunhado é o Sitcom Kid; e sua própria mulher é a Perfectionist. De repente – uma crise no casamento? – Tom fica invisível (só) para ela, e precisa reaparecer para convencê-la de que o amor deles vale a pena. Estranho, divertido e muito romântico

*US$ 14,00 na Amazon

Entre dois amores

O fato de ter sido escrito pelo mesmo autor de As Virgens Suicidas – transformado em filme por Sofia Coppola – e Middlesex (agraciado com o Pulitzer) não é a única credencial que faz de A trama do Casamento um ótimo livro. Nele, Madeleine, fã de Roland Barthes e romances vitorianos, tem seu amor disputado pelo gênio-louco Leonard e por Mitchell, que viaja à Índia de Madre Teresa para “ver se a bondade pega”. Além de prender o leitor, Jeffrey Eugenides consegue o que parece impossível: fazer com que se torça pelos três personagens ao mesmo tempo, com a mesma intensidade.

*Companhia das Letras, R$ 46

Dor no peito

Com O Céu dos Suicidas, o paulista Ricardo Lísias se consolida como um dos nomes mais interessantes da atual literatura nacional – posto avalizado pela última Granta, que selecionou os 20 melhores jovens escritores brasileiros. Enquanto terminava O Livro dos Mandarins, Lísias soube do suicídio de um amigo. Resolveu, então, transpor sua impotência e angústia para um novo livro, em que o personagem central, que tem o nome do autor, entra numa semiloucura quando um amigo se mata. Para ler com um nó na garganta.

*Editora Alfaguara R$ 35

 

 

 

Centro do palco

Um bem-sucedido e atormentado pintor é a ferramenta de uma investigação ácida do mundo das artes, em O Mapa e o Território. Mas o que torna a nova obra do polêmico Michel Houllebecq (autor de Plataforma) tão peculiar são seus personagens coadjuvantes – incluindo o próprio escritor. Ao leitor cabe a interpretação óbvia: a criatura é mais importante que o criador – metáfora para o hábito bem humano de não enxergar as próprias mediocridades. Ganhador do prêmio Gongcourt, o mais importante da França, o livro ainda reserva uma virada em ritmo acelerado, quando um assassinato transforma o romance em thriller policial.

*Editora Record, R$ 50

Tour gourmet

Nascido em Lisboa, naturalizado americano e criado na Suíça. O ex-editor da revista Forbes, Richard Morais, aventura-se pela gastronomia com A Viagem de Cem Passos. A história do gênio culinário Hassan Haji começa na infância de cheiros exóticos e apimentados da Índia, passa pela multicultural Londres e pelo refinamento francês. O chef-escritor-apresentador Anthony Bourdain deu a benção: “É o melhor romance ambientado no mundo da gastronomia que já li”.

*Editora Record, R$ 45,00

Próprio Umbigo

Não espere por novos Guevaras ou De Gaulles, aconselha o filósofo Luc Ferry em A Revolução do Amor. Elogiado por discutir sobre os relacionamentos do mundo contemporâneo, o livro defende que nem a fé, nem a pátria, nem os ideais movem o indivíduo atualmente; só as próprias paixões (especialmente pelos amigos e pela família).

*Editora Objetiva, R$ 45

Óleo sobre capas

Se você já pensou em escrever um livro, você faz parte das pessoas que pensam “dentro da caixa”. Muita gente pensa em fazer o mesmo. Uns fazem, outros não, algumas publicações são geniais, outras tantas não.

Mas esse artista de Los Angeles, pensou um pouco diferente. Mike Stilkey usa as capas e as lombadas de livros para pintar e criar efeitos visuais incríveis.

Passei um tempão olhando as imagens (ou seriam telas? Ou instalações?). Dá vontade de ter várias delas em casa.

Este é o site de Mike. Lá dá pra ver mais do trabalho dele. Enjoy!

Olha quem lê

Um board do Pinterest só com fotos de celebridades lendo.
Pra seguir, tá aqui: http://pinterest.com/ithays/mira-quien-lee/

Quanto um livro pesa no seu bolso?

Recebi essa informação agora cedo: Preço médio do livro continua em queda, de acordo com a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial

Diz o estudo que o preço médio do livro, incluindo todos os gêneros, recuou 6% nas vendas das editoras ao mercado, no ano passado. Veja bem, nas vendas da editora pro mercado. Ou seja, esse “recuou” não significa que o preço caiu pra você, consumidor comum, que compra na livraria.

Ainda de acordo com a pesquisa, desde 2004, essa redução foi de 21% nos preços. E mais: descontada a inflação, a queda chegou a 44% entre 2004 e o ano passado.

O setor atribui essa redução à desoneração do PIS e da Cofins (impostos, basicamente) para os livros, medida que vigora desde 2004. Além disso, a crescente demanda por livros e a concorrência do mercado, ajudaram a baixar os preços.

Os dados confirmam a alta procura. Segundo pesquisa FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o total de livros vendidos no ano passado foi de 469,5 milhões.

 

A título de curiosidade: os e-books foram incluídos pela primeira vez na pesquisa do setor editorial.

No ano passado, foram lançados 5,2 mil títulos no formato digital. Em relação às vendas, o total corresponde a um faturamento de cerca de R$ 870 mil.

Você sentiu alguma diferença no bolso? Acha que essa redução chegou pra você? Comprou mais livros no ano passado do que em 2010?

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