Sopa de letrinhas

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Outro dia fui entrevistar a chefe Gabriela Barretto, do Chou, um restaurante bem fofildo em São Paulo.

A história dela é bem bacana. Antes de resolver estudar gastronomia, ela se formou em letras, porque sempre amou ler. O problema é que na faculdade ela tinha que ler tanta coisa chata, que ficou com medo de perder o amor à leitura.

O resto da história dela tá na Istoé Gente deste mês. Mas, como não podia deixar de ser, tirei uma casquinha rs.

Perguntei a ela qual seu livro favorito. Eis que ela me apresenta para  Mary Frances Kennedy Fisher (na foto), ou simplesmente MFK Fisher, como costumava assinar.

Essa escritora norte-americana era uma especialista em literatura voltada para a gastronomia. Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, ela escreveu seu primeiro livro (ao longo da vida escreveu mais de 20), e um dos mais famosos – um dos favoritos de Gabriela também – Como Cozinhar um Lobo, contando como comer com dignidade em tempos de guerra.

As tiradas são fantásticas, o texto é bom e o contexto igualmente importante. Você já parou pra imaginar como as pessoas faziam quando tinham de economizar gás, ou como lidavam com a escassez dos alimentos? Como as donas de casa se viravam nos 30 para levar à mesa uma refeição enquanto o lobo batia em suas portas?

Esse é o pano de fundo para inúmeras reflexões em relação à comida e ao modo como comemos. Além da importância histórica, o livro traz várias receitas. Muitas delas bem fora da nossa realidade, mas é legal saber o que era servido na mesa naquela época. Criatividade era a palavra-chave.

Dica valiosa! E eu, empolgada que sou, corri pra Estante Virtual (aliás, tô viciada!) e comprei esse livro. E já que eu estava por ali mesmo, aproveitei para levar outra obra da autora: Um Alfabeto para Gourmets, que eu ainda não comecei a ler. Mas jajá tem resenha.

 

*Ambos são da Companhia das Letras
Como Cozinhar um Lobo: R$ 39,50 (eu paguei R$ 15 no sebo virtual /)
Um Alfabeto para Gourmets: R$ 43 (no sebo virtual saiu por R$ 10. Entenderam o motivo do meu vício?)

PS: A Gabriela me deu mais uma dica além dessa. Próximo post!

A pornografia de Hilda Hilst

Num momento em que o assunto é o livro “50 tons de cinza“, da autora americana E.L. James (o primeiro livro da trilogia vai ser lançado no Brasil nessa semana, salvo engano, pela editora Intrínseca), pego carona no factual pra fazer esse post.

Ganhei o primeiro livro, “O caderno rosa de Lori Lamby“, do meu marido por recomendação de uma amiga. Ela disse que leu e ficou chocada. Eu digo mais: Tive até vergonha. É tão bom, tão sexualmente excitante e, ao mesmo tempo, tão errado, que dá até vergonha de gostar tanto do livro.

O primeiro volume da trilogia escrito pela minha conterrânea Hilda Hilst, é o diário de uma menina de oito anos, escrito em primeira pessoa, que conta histórias que unem a pornografia ao cômico, passando pelo assustador e chocante. A linguagem é unica, algo que eu nunca tinha visto antes. A autora brinca com uns trocadilhos, de maneira que só faz sentido porque é escrito por uma criança. Tem umas putas sacadas.
Além disso, as ilustrações são do Millôr Fernandes, outro espetáculo à parte.

É um livro pornográfico, que trata de sexo como algo leve, gostoso, sem culpa. Só que por uma criança. O único jeito talvez de tratar o sexo sem culpa seria por uma criança, creio eu.

A garota vive entre a fantasia e o real, às voltas com as brigas e discussões dos pais, completamente desequilibrados também.

Os outros dois livros da trilogia, “Cartas de um sedutor“, e “A obscena senhora D“, são bem diferentes. Também têm um quê de pornográfico, mas passa longe da perturbadora Lori Lamby. Confesso que comecei a ler os dois, mas ainda não terminei.

Lori Lamby é do tipo que a gente não lê no metrô, por medo da pessoa ao lado ler alguma coisa junto e a gente ficar constrangido.

Sei que o post é pequeno para tratar de uma trilogia, mas realmente a literatura é única. O estilo é individual. Nunca vi nada parecido. Meio sem palavras, literalmente.

Imagem

*Editora Globo
Ganhei de presente os três. E parei com essa de ver os preços dos presentes depois. Sinto muito.

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