Você é bom de memória?

A revista Lola deste mês fez uma entrevista muito legal com a neurocientista Suzana Herculano-Houzel.

Aqui, separei dois trechos bem interessantes e que me fizeram refletir um pouco.

Se você também abre algumas “abas” no cérebro, achando que tá dando conta de fazer várias coisas ao mesmo tempo, talvez você não esteja conseguindo fazer nada…
O que fazer para estimular a nossa memória?

Suzana: Usá-la. Para que qualquer informação entre na memória, é preciso fazê-la passar pelo filtro da atenção. Mas, como sempre tem muita mais coisas acontecendo, não fazemos isso. É fácil não se lembrar de onde se colocou o raio do papelzinho do estacionamento, porque, ao entrar, você estava pensando em outra coisa, na vaga que tinha de achar, na conversa que estava tendo… É preciso ter o hábito de prestar atenção naquilo que se quer lembrar. A gente acha que as pessoas conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas não conseguem. Ou lemos ou estamos ouvindo rádio. Conseguimos alternar muito rapidamente entre duas coisas, ficamos indo e vindo, mas o tempo que você direcionou a atenção a uma delas perdeu na outra. Não fica nem um rastro no nosso cérebro.
(sobre a capacidade dos neurônios de formar sinapses ao longo da vida) Mas isso também não muda?

Sim, os neurônios morrem e também há a tendência à remoção de sinapses. Num estudo feito com ratos, que acabamos de publicar, mostramos que o número de neurônios chega ao ápice na adolescência, depois começa a diminuir. Não dá pra dizer que essa seja a causa de todos os problemas da velhice, embora até hoje a gente não saiba outra causa melhor para a perda cognitiva que a perda de neurônios. Nascemos potencialmente capazes de entender todos os sons e idiomas  que o ser humano é capaz de produzir, mas o cérebro perde essa capacidade ao longo do tempo. É um processo econômico, não faz sentido manter o que não é usado. O sistema se refina, torna-se cada vez melhor naquilo que de fato faz. Por isso, o uso é tão importante. Não é o tempo que nos torna melhores em qualquer coisa, é usar aquilo todo dia que vai resultar numa execução cada vez melhor.

 

post it

As piores capas de livros de todos os tempos

(A minha favorita, confesso)

Esse Tumblr reúne as melhores piores capas de livros de todos os tempos. Tem coisas surreais!

Diversão garantida para este feriadinho com cara de dia normal de trabalho.

A culpa é das estrelas

 

Chorei algumas vezes com livros. Mas nunca tinha chorado de soluçar, de ficar mal mesmo, com alguma história.

Pois sempre tem uma primeira vez… Comecei a ler A Culpa é das Estrelas na livraria, à toa, esperando uma amiga. Depois de duas páginas, ela chegou. E eu TIVE que comprar o livro.

Três dias depois, numa sexta a noite, eu fiquei em casa. Queria terminar de ler, queria saber o que acontece com Hazel, uma adolescente com câncer, e Augustus, seu namorado, também doente.

Perdi a sexta a noite, perdi o alto astral, ganhei olhos inchados de tanto chorar. O final não é tão óbvio quanto você imagina, mas também não foi só pelo fim da história que eu chorei, evidentemente.

John Green conseguiu escrever uma história triste com grandes sacadas e momentos de bom humor. Claro que é o tipo de livro que a gente não pode ler em qualquer momento da vida, porque deixa a gente muito mal. Mas é bem escrito, inteligente, nada de dramalhão de novela.

E no meu caso, foi bom ter lido e chorado e sofrido. E é bom a gente olhar para outros problemas, para outras questões maiores do que as nossas. Deixa a gente menos medíocre, eu acho. Pensar que existem centenas de Hazels que vivem por aí, respirando com um cilindro de oxigênio que tem de ser levado pra cima e pra baixo, e que sabe que não tem cura e que resta pouco tempo de vida, faz a gente enxergar um pouco melhor a nossa própria existência…

E um dos vários trechos reflexivos é este aí de baixo. Um dos meus favoritos, talvez.

 

 

 

*Editora Intrínseca
R$ 29,90

Não siga sua paixão

 

“Torne-se muito bom – e a paixão surgirá”

“Quantas vezes você ouviu “siga sua paixão e o sucesso virá”? Isso não quer dizer que o conselho esteja certo, diz o professor Cal Newport, da Universidade de Georgetown, autor de So Good They Can’t ignore you (“Tão bom que não poderão ignorá-lo”, um bordão do comediante Steve Martin).

Amar o que se faz é um objetivo legítimo, diz Newport, mas seguir sua paixão não é o caminho para chegar lá. Por um motivo simples: Não há caminho “certo” esperando você adotá-lo. Paixões originais certeiras são raras – aqueles que desde criança sonham ser médicos, por exemplo. Na maioria das vezes, nossos desejos são baseados em fantasias e oscilam demais. Podem ser perigosos, causando ansiedade e troca constante de empregos.

Por isso, Newport aconselha a parar de ruminar sobre o que o apaixonaria, Em vez disso, desenvolva habilidades raras e valiosas, com estudo, disciplina e repetição. Elas é que permitirão definir os termos de sua carreira, dando-lhe controle e autonomia. Parece com abdicar de sua paixão? Ao contrário: Trata-se de cultivá-la. Seja bom – mas bom mesmo – e a paixão aflorará, afirma Newport.

Em seu livro, Newport cita um antiexemplo de sua tese, uma mulher chamada Julia, que deixou um emprego seguro em publicidade para se tornar professora de ioga – sua paixão. Após fazer um curso de apenas quatro semanas, começou a dar aulas. Menos de um ano depois tinha de viver apenas com tíquetes de alimentação do governo. Para montar sua tese, o autor conviveu algum tempo com tipos diversos, que vão de agricultores orgânicos a programadores de computador, investidores e roteiristas, registrando as estratégias e as armadilhas a ser evitadas. Todos se tornaram excelentes no que fazem sem levar em conta a paixão.

Além das observações empíricas, Newport se baseou também em estudos científicos, como o de Amy Wrzesniewski, professora de comportamento organizacional da Universidade Yale. Ela pesquisou quais tipos de trabalho as pessoas consideram um emprego (modo de pagar contas), uma carreira (caminho para o aprimoramento) ou uma vocação (atividade que é parte importante de sua vida e de sua identidade). O estudo concluiu que os funcionários mais felizes e mais envolvidos não são aqueles que se guiaram pela paixão, mas se desenvolveram o bastante para se tornar realmente bons no que fazem.

Newport sugere quatro regras práticas: Não siga sua paixão, mas descubra quais habilidades pode desenvolver a um nível superior; seja muito bom no que faz, pois a paixão se segue à maestria, e não o contrário; não espere promoções, já que se aprimorar leva tempo; e pense pequeno, mas aja grande, pois o que realmente importa não é achar o emprego certo, e sim descobrir como você pode ser bom em qualquer emprego.

Em resumo, o que você faz para viver é menos importante do que como você o faz”.

 

Esse texto, de autoria de Paulo Eduardo Nogueira, saiu na Época Negócios deste mês (os destaques, em algumas palavras e frases, são meus).

Bora se livrar dos clichês. Paixão tem muito mais a ver com satisfação e empenho, do que com sonhos, muitas vezes confusos e com pouca objetividade. Ou Seja: se joga, que a paixão aparece ;)

Os 50 tons de cinza que eu (não) li

Não consegui. Confesso que tive um certo preconceito antes de começar a ler o livro, relutei, mas, mesmo assim, fui em frente.

Tentei. Mas não consegui passar da metade do livro. Pensei que fosse um fenômeno, que todas as mulheres – inclusive as minhas amigas – tinham lido, adorado, se divertido, e devorado em poucos dias e, por isso, eu poderia gostar, pelo menos um pouco, de 50 Tons de Cinza.

Mas nem com toda a influência do mundo, gente. O livro é mal escrito, a leitura é pobre e, numa boa, esse príncipe encantado do século 21 é muito distante de qualquer sonho de princesa. Dar computador novo e carro zero para conquistar menina semi-virgem devia ser proibido em qualquer leitura do mundo moderno. É ofender a categoria!

Ok, essa parte da ofensa foi brincadeira. Mas, de verdade, tenho medo das meninas mais novas se influenciarem por esse livro e acharem que a primeira transa delas vai ser assim, mágica, com um príncipe. Até pode ser. Mas minha amiga, numa boa, gozar três vezes (é sério, pra quem não leu o livro – e isso não é spoiler – a menina goza TRÊS vezes na primeira vez dela. Oi?) na primeira transa é um sonho um pouco distante. O livro podia ser um pouco mais real.

A pobre da Anastasia fica sem fôlego só de ver o galã dela aparecer na frente dela. Isso é fofo, bonitinho, mas, afora a paixão dela pelo primeiro-homem-da-vida, o livro é sem sal. Cheguei na metade e não peguei nenhuma cena sequer de sadomasoquismo.

Eu sei, é uma trilogia, e o livro foi mesmo escrito para que você termine um e já compre, na sequência, o próximo, e isso explica muito o fenômeno de vendas em todo o mundo: Você acaba querendo saber o que vai acontecer. Mas acontece que a história é tão meia boca, que eu acabei pensando que, aconteça o que acontecer no próximo capítulo, eu não vou estar perdendo muita coisa se não ler. E foi pensando assim que ele empacou lá, na metade.

E aos que gostaram do livro (ou melhor, às que gostaram, porque eu duvido que tenha muito homem que tenha lido) topo super abrir um espaço aqui para resenhas positivas. Mas tem que ser convincente. Do contrário, voltamos à nossa programação normal.

*Editora Intrínseca
R$ 39,90

Você é feliz no trabalho?

Terminei esse livro já faz algumas semanas, mas confesso que protelei o máximo possível esse post, por um simples motivo: O autor é um amigo querido, e eu fiquei com medo de não fazer uma resenha à altura.

Continuo com medo. E sei que essa resenha não vai ser à altura. Mas vambora.

O jornalista Alexandre Teixeira já passou por diversos veículos – inclusive o que eu me encontro hoje – e, por conta disso, escreveu muito sobre negócios, empresas, empresários, fórmulas de sucesso e de fracasso no mundo corporativo. Há cerca de um ano (pode ser um pouco mais, não me lembro exatamente), ele largou o emprego na Época Negócios e foi escrever um livro.

Legal né?
Era o que você queria fazer, né? Pois eu digo que, se você ler o livro, vai ficar mais contaminado pela vontade de largar tudo e ir fazer alguma coisa que te dê prazer.

Por meio de cases e depoimentos de diversos CEOs “dos brabos”, como Abílio Diniz, Teixeira mostra como a tal “felicidade no trabalho” é algo palpável, tangível e, mais do que isso, possível. E é aí, meu amigo, que bate a depressão.

Se é possível ser feliz no trabalho, por que você não é?

Será que a sua empresa pensa nisso? Teixeira mostra, por meio de diversos exemplos, o que as companhias estão fazendo à respeito dessa questão, e, de fato, caminhando para um time de funcionários felizes e satisfeitos.

Tá doendo? Vai doer mais. O livro foi um soco no meu já sensível e gastrítico estômago. Passei a me questionar (mais ainda) por que diabos a gente passa tanto tempo no trabalho? Será que realmente estamos produzindo nesse tempo todo? Por que não podemos trabalhar de casa, ter mais benefícios, foco na qualidade de vida, tempo para fazer outras coisas, projetos paralelos, tempo, tempo…

Na semana em que li o livro, fiquei revoltada, triste, questionando por que afinal, um fator tão visceral – ser feliz com o que se faz – não tem a devida importância da maioria das empresas? Por que ninguém quer saber se as pessoas estão felizes? Será que os gestores não percebem que esse é um fator fundamental para qualidade e produção do trabalho? Não seria óbvio que se eu estou feliz – e para isso eu preciso ter mais tempo pra mim, tocar projetos pessoais, ter saúde, satisfação – eu vou produzir mais e melhor? E se já tem gente pensando nisso, por que a minha empresa ainda não o fez?

E eu não estou falando de trabalhar no Google, onde você pode parar a qualquer momento e jogar ping pong se quiser. Nem precisa de tanto, juro. Mas o livro mostra diferentes estratégias, de laboratórios clínicos a supermercados, com exemplos bem diferentes, mas com o mesmo propósito: Colocar o funcionário como um bem da empresa, e, como todo patrimônio, deve ser bem cuidado.

Claro que não parece fácil. Ser feliz no trabalho tem um custo. É verdade. E o livro não tem nada de Polyana com isso: Passa por esse ponto importante também. Mas a minha conclusão é que isso é um investimento e não uma despesa. É mais do que claro que as companhias têm o retorno financeiro depois de um tempo investindo na alegria e satisfação dos funcionários.

Por tudo isso, com todos esses questionamentos e exemplos possíveis, fiquei bastante incomodada com tudo o que li. É o tipo de leitura que não passa batida e, justamente por isso, eu super recomendo. Agora, se você já está num período de incômodo com o trabalho, talvez não seja o momento.

Ou não…

*Editora Arquipélago
R$ 45,00

Como pensar mais sobre sexo

 

Alain de Botton, um dos meus favoritos, em “Como pensar mais sobre sexo” (resenha logo logo!)

Livros para a próxima parada

Livros para ler nas férias não são os mesmos que a gente lê fora delas né? Eu pelo menos, sempre procuro uma leitura mais leve, mais fácil, para esse momento em que o computador e o celular dão lugar ao chinelo e ao sofá. É um momento de muita alegria, gente! (a pessoa que não vai tirar férias nesse ano).

Lembrando disso, eu tinha separado essa matéria que saiu na revista São Paulo do dia 06 de novembro de 2011 (é, faz tempo. Deixemos o tempo de lado hoje. Até porque, se eu começar a falar disso, vou lembrar o quão atrasada com os posts eu estou #vergonha). Enfim, tinha separado, agora, mexendo na minha bagunça, eis que eu o encontro! E achei legal dividir aqui na blogsfera.

É sobre livros para ler nas férias, sim, um assunto batido, que todo ano é explorado à exaustão. Mas, neste caso, são dicas que têm a ver com alguns destinos turísticos. Se você tá pensando em viajar, vale a pena levar um desses livros na mala. Como dizem as blogeiras de moda “tipo, são essenciais em qualquer mala básica”.

Boa viagem =)

 

Destino: Nova York, EUA

Livro: “Só Garotos”, Patti Smith
(por Adriana Ferreira)

“Os caminhos de Patti Smith e os meus se cruzaram em Nova York. A primeira vez, no verão de 2001, quando ela me atraiu ao Lincoln Center, um dos mais incríveis centros culturais que já estive. Ela fez ali um show gratuito, ao ar livre, e eu cantei ‘People Have the Power‘ com emoção e o punho em riste.

Nosso segundo encontro ocorreu neste ano (2011), quando tropecei em Patti Smith estampada num cartaz na vitrine da Three Lives & Company, uma pequena e simpática livraria na esquina da Waverly Place com a rua 10 (em Greenwich Village) , em frente ao aconchegante Momo Cafe. ‘É uma ótima compra’, disse a vendedora.

Foi assim que ‘Só Garotos’ (ou ‘Just Kids’, na versão em inglês), a história do início da carreira de Patti Smith ao lado do fotógrafo Robert Mapplethorpe tornou-se o meu guia nova-iorquino. Por causa do livro, desenvolvi uma obsessão pela Chelsea, bairro onde os dois viveram seu período mais intenso. Em busca do Chelsea Hotel, onde Patti morou, consolou Janis Joplin e encontrou Bob Dylan e Jimi Handrix, descobri dezenas de galerias de arte.

Conheci trabalhos de jovens nova-iorquinos, instalações de artistas contemporâneos do Oriente Médio, visitei espaços clássicos, como a galeria de performances The Kitchen, e me surpeendi com um grafite gigante da dupla brasileira osgemeos ( <3 ). Fugindo da chuva, comi no Chelsea o melhor cupcake de Nova York, de banana com cobertura de creamcheese e limão, no Billy’s Bakery.

Para incorporar o estilo de vira-lata de Patti, comprei sushi numa loja do Chelsea Market ( <3 ) e fiz um pique-nique solitário no High Line ( <3 <3 ), um espetacular parque suspenso, construído sobre uma linha de trem desativada.

Também li páginas e mais páginas sentada nas mesas do restaurante Pink Tea Cup, só para devorar os mesmos ovos mexidos que Robert comeu antes de fotografar Patti para a capa de seu primeiro disco (Horses) ”

OBS: Quando fui para Nova York, no ano passado, levei Extremamente Alto, Incrivelmente Perto, do Jonathan Safran Foer, que, embora não seja tão levinho assim, é maravilhoso, um dos meus livros favoritos, e super nova-iorquino (tem post dele aqui) E, por coincidência – eu ainda não havia lido essa matéria quando fui pra lá, comprei Just Kids, numa livrariazinha fofa. E não, ainda não li.

*Editora Companhia das Letras
R$ 40,00

Destino: Havana, Cuba
Livro: “A Trilogia Suja de Havana”, Pedro Juan Gutierrez
(por Roberto Kaz)

“Ao sair do aeroporto, só havia um táxi, que dividi com um executivo. Ele comandava uma unidade do grupo de hotelaria Meliá – e, por isso, seria inquirido pelo motorista durante o trajeto a sua casa. ‘Quanto você ganha?’, ‘Onde depositam seu dinheiro?’

O motorista era doutor em química. Mas doutor não ganha gorjeta em dólar. Por isso, virara chofer.

De certa forma, eu já havia me preparado para situações como essa. Um mês antes, lera ‘A Trilogia Suja de Havana’, livro de contos do cubano Pedo Juan Gutierrez. Conhecera, assim, parte da “fauna” que encontraria a partir dali: Literatos, policiais, jornalistas, médicos, todos improvisando para equilibrar as contas no fim do mês.

Conhecera, também pelo livro, personagens que se esgueiram pelo Malecón (calçadão que está para Havana como o de Copacabana está para o Rio). Homens e mulheres desocupados, interessantes, interessados.

*Editora Alfaguara Brasil
R$ 50,00

Destino: Dublin, Irlanda
Livro: “Ulisses”, Jaimes Joyce
(por Alcino Leite Neto)

Se há uma cidade que foi reinventada por um livro, e um livro que se construiu inteiro sobre uma cidade, estes são Dublin e “Ulysses”, de James Joyce (1882-1941). É uma das mais fascinantes conjunções de espaço urbano e espaço literário. Publicado em livro em 1922, “Ulysses” narra (em mais de 800 páginas, na tradução de Antônio Houaiss) um dia na vida de Leopold Bloom, em 16 de junho de 1904.

É um dia qualquer, que Joyce configura como o da odisseia de um homem fatigado num mundo sem deuses nem heróis. é uma experiência inigualável ler o livro e percorrer a Dublin de “Ulysses”, desde a Torre Martelo (onde começa o romance; há um pequeno museu no local) até a casa de Bloom, na rua Eccles, nº 7.

Há tours que ajudam a refazer os percursos do livro, que incluem passagens pelo gostoso Davy Byrne’s Pub, entre outros locais da “adorada desdourada Dublin”.

*Editora Alfaguara Brasil
R$ 90,00

Destino: Paris, França
Livro: “Paris Não Tem Fim”, Enrique Vila-Matas
(por Raquel Cozer)

Alguém precisava renovar as preferências literárias para o turista que vai a Paris, e Enrique Vila-Matas fez esse favor com “Paris Não Tem Fim”, romance que resulta de sua busca por emular as vivências de Hemingway em “Paris É Uma Festa”.

A Paris do autor catalão, quase meio século mais nova que a do americano, começa depois do Maio de 68. Isso significa que, além de rememorar endereços frequentados por Hemingway, Fitzgerald e companhia, ele apresenta outros, nos quais circulam Marguerite Duras (de quem Vila-Matas alugou quarto na rue St. Benoit), Roland Barthes e nomes da “nouvelle vague“.

Parte da história se passa nos anos 2000, quando Vila-Matas retorna à cidade e constata que ambientes outrora amados por Hemingway, como Petit Bar e o Café de Flore, tornaram-se ruidosos lugares-comuns, cheio de “gente feia, muito embriagada”.

*Editora Cosac Naify
R$ 60,00

(a ilustração fofa da capa é daqui)

Destino: Londres, Inglaterra
Livro: “Um Dia”, David Nicholls
(por Raquel Cozer)

O ar em Londres é “uma coisa que se pode enxergar, como um aquário malcuidado”. Tinha lido a descrição em “Um Dia”, de David Nicholls, pouco antes de descer na estação de Waterloo, e concluí que não poderia haver descrição melhor: aquela tarde pesada, com cara de noite, era um aquário malcuidado cobrindo a cidade.

A Londres de Nicholls não é a cidade cheia de referências históricas, mas sim a de quem mora lá e nem repara nessas coisas. Os personagens alugam quartos decadentes no bairro Earls Court e odeiam “Convent Garden, com suas bandas de flautas peruanas”.

Os críticos elogiaram, os leitores garantiram a presença nas listas de best-sellers (ao meu ver com o livro, no trem para Raynes Park, meu anfitrião tirou a dúvida: “O que há nesse romance que para qualquer lado que você olhe tem alguém lendo?”) e a diretora Lone Scherfig transformou em filme. Por aqui, estreia em novembro.

*Editora Intrínseca
R$ 30,00

OBS: Li esse livro no começo do ano e amei. O filme, por outro lado, me decepcionou muito, para não fugir à regra. Tem um post sobre o livro aqui. Desses fofos, que a gente se apaixona pela personagem e chora no final.


Destino:
Pamplona, Espanha
Livro: “O Sol Também Se Levanta”, Ernest Hemingway
(por Gustavo Fioratti)

Sou particularmente contra qualquer entretenimento que envolva animais. Mas confesso que guardo na memória, com carinho, a leitura de “O Sol Também Se Levanta”, de Ernest Hemingway, pelas ruas de Pamplona (Espanha).

Um trecho do livro descreve a famosa Festa de San Fermín, evento marcado pela corrida de touros pelas ruas estreitas do centro da cidade. Homens corajosos correm entre os animais, e as sacadas dos pequenos prédios espalhados por essas ruas ficam cheias de turistas, que alugam os apartamentos dos habitantes da cidade para poder ver a farra de camarote.

O livro também passa os olhos por outros lugares da cidade, como a charmosa plaza del Castillo, onde os lavradores costumavam embarcar em direção à lavoura. Ainda parece ser um lugar tranquilo, como na Espanha de 1920.

*Editora Betrand Brasil
R$ 40,00
Destino: Buenos Aires, Argentina
Livro: “Santa Evita”, Tomás Eloy Martínez
(por Adriana Küchler)

Uma Buenos Aires nada turística, em que se busca um misterioso “tanguero” ou se persegue o corpo da heroína nacional, a primeira-dama Evita Perón, é o que oferece Tomás Eloy Martínez em “O Cantor de Tango” e “Santa Evita” – obras que me guiaram quando morei entre os “hermanos”.

O personagem Bruno Cadogan me apresentou ao meu café favorito, o Británico, bem frequentado por Borges Sobato. E ao labiríntico bairro redondo do Parque Chas, “interstício que divide a realidade das ficções de Buenos Aires”, cujo mapa rabisquei num papel, em tempos de nada-smartphones.

Martínez também me mostrou o Palácio das Águas – construção mais bonita da cidade por fora (dentro, é um museu de privadas) – onde seus militares tentaram esconder a Evita embalsamada. Eva Perón acaba no cemitério da Recoleta, necrópole das mais lindas, e meu passeio preferido nas portenhas tardes de domingo.

*Editora Companhia das Letras
R$ 67,00
Destino: Tóquio, Japão
Livro: “O Sol Se Põe em São Paulo”, Bernardo Carvalho
(por Tereza Novaes)

Como é comum nos livros de Bernardo Carvalho, esse é um romance de muitas tramas.

A que me atravessou durante minha viagem ao Japão foi justamente aquela que mais se aproximava de minha história pessoal: A de um descendente de japoneses que vista pela primeira vez o país de seus antepassados.

Assim como o narrador do livro, sofri com as ruas sem nome e com um certo espírito de indiferença dos japoneses. Apesar de me parecer com eles, não conseguia me comunicar na língua local.

Comum também à rota turística, o livro passa por Kyoto na década de 1940, com seus belos parques e templos, entre eles, o de Shimogamo, em cujos arredores o escritor da trama passa parte da vida.

O mais incrível é que, ao vivo, esses cenários parecem congelados no tempo.

*Editora Companhia das Letras
R$ 39,50

Junte-se a 13 outros seguidores