Tem alguém aí?

Hoje é dia de pitacos!

Por Bianca Ferreira, do Dona Oncinha

Por mais jornalista que eu seja, eu assumo que meu lado mulherzinha grita “berrantemente” quando falamos de livros. Adoro um romance no melhor estilo comédia romântica e sou fãzona da escritora irlandesa Marian Keyes – para mim, a maior celebridade no ramo das autoras de “chick lit”.

Já li toda a coleção de livros da escritora que foram traduzidos para o português e mesmo alguns em inglês, que ainda não haviam chegado ao Brasil.

Dentre os meus preferidos, “Férias” e “Los Angeles” ganham um espaço especial na minha prateleira e, se você curte uma historinha de amor com passagens por sexo, drogas e rock n’ roll, eu recomendo.

O último que li, e sobre o qual vou falar por aqui, foi a versão em inglês do já traduzido “Tem alguém aí?”. O livro fala de mais uma das irmãs Walsh, já famosas devido a alguns outros livros da autora (inclusive os citados acima), e de uma temática pouco abordada por Marian e até mesmo pelos outros romances que eu já havia lido: a morte.

Eu confesso que o tema “morte” me deixa um bocado desconcertada. Eu não tenho intimidade com o assunto “fim da vida” (e nem pretendo ter tão cedo) pelas poucas experiências que, graças a Deus, tive nesse setor, mas tudo nessa vida há de nos surpreender um dia e eu, com o coração na mão, me surpreendi com o resultado da leitura.

Eu não quero contar sobre o que acontece no livro porque acho a leitura extremamente válida, mas Marian Keyes mais uma vez me pegou em pontos fracos e me emocionou com a leitura. O “chick lit” dessa vez nem foi tão romântico assim, tampouco retratou o sexo da forma como retratara antes, mas ao falar sobre algo que pode acontecer na vida de qualquer um de nós, ela me desarmou. Há uma sensibilidade de detalhes que as vezes nos parecem banais mas que nos conduzem para dentro da história, como se o sofrimento nos pertencesse.

Lógico que eu chorei litros e, por vezes, até me revoltei com o que acontecia – eu e a protagonista lado a lado, como se fôssemos ambas reais. Passei a conhecer rituais que eu quase não conhecia e pelos quais tinha pouquíssimo interesse, como encontros para contatar os que já foram e médiuns que falam pelos mortos. Em resumo, estive em contato com um lado real e espiritual da passagem dessa vida e passei a reconsiderar muitas de minhas conclusões sobre o que é morte e perda de alguém que amamos.

Não se tornou mais fácil para mim aceitar que a vida de algumas pessoas cheguem ao fim, principalmente por eventos inesperados, mas fica mais palatável entender o sofrimento e aprender a lidar com ele.

 

Eu recomendo!


*Editora Bertrand Brasil
R$59,00 na Livraria Cultura e na Fnac (só porque eu to democrática e imparcial hoje)

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Crianço para Oscar de melhor ator de livro!

 

*Por Analu Andrigueti, de A matadora de orquídeas

Tenho culpa no cartório. E tenho provas contra (?) mim. A própria autora de Brevida, Juliana Amato, autografou no meu livro algo como “Para Analu, que me mandou o link do concurso”.  Explico: fui eu quem falou para essa jovem escritora – amiga de um amigo meu – mandar alguma coisa para o concurso da editora Edith, voltado só para mulheres. Ela mandou. Concorreu com finalistas fortíssimas (Laís Tapajós, Martha Nowill, entre outras) e ganhou de 60 escritoras, no total.

(Ah, então porque ela é meio “cria” minha, vou dar um desconto e achar o livro bom, mesmo sendo médio? Nunca, jamais. Vou ser mais exigente ainda!)

Deixei o livro hibernar umas semanas na estante até a oportunidade de viajar (literalmente) com ele. Como Brevida é breve desde o título até o tamanho, passando pela linguagem do protagonista, Crianço – já já falo mais dessa criação/aberração da Juliana –, torna-se o livro ideal para viagens, super portátil e bom para ler de uma tacada só.

No aeroporto, o voo atrasou. Pra variar. E dessa vez nem reclamei, porque já estava hipnotizada pelas palavras infantis, meio débeis, ditas por um menino-homem superprotegido/demolido pela mãe – que ele chama de mamã –, o tal Crianço. Ele não tem nome. Nem a mãe. Nem a assistente social, para quem a mãe o delega.

(Curioso: Crianço não sabe fazer nada. Só sexo. E parece que ele é bem bom nisso. Como se fosse pouco mais do que um animal.)

Em Brevida, são poucos os personagens. Mas são fortes, complexos, desconcertantes. Mesmo falando desse jeito, raso, BREVE. Acho que nunca vou me esquecer de Crianço. Acho que Crianço merece Oscar de melhor ator de livro!

E o contraponto ao Crianço é uma socialite (nojenta) que aparece no meio do livro dando uma entrevista para uma revista de fofoca. Aquelas perguntas bestas para respostas idiotas. Mas ela também não é uma celebridade qualquer. Durante a entrevista, conhecemos seu lado “B”.

E, de uma maneira muuuito inusitada, é o sexo que une essa personagem do mundo de Caras ao “portador de necessidades especiais” (e pobre), Crianço. É a tal linguagem universal dos… homens? Ou seria dos animais?

Bati o olho na crítica do Renan Nuernberger que está no blog da Juliana e li o nome “Macunaíma”, associado ao protagonista de Brevida. Pensei: “putz, como é que não me liguei disso antes?”

Simplesmente porque, para mim, Brevida não me parece com nada do que já li. Falando assim parece que o livro é um OVNI, alguma coisa fora da realidade. É e não é.

Se você gosta do que é realmente novo, corra atrás do seu Crianço!

Brevida, de Juliana Amato
Editora Edith, R$ 30

 

Nova seção!

 

E como prometido, hoje inauguro uma nova seção por aqui: Pílulas alheias.

Nesse espaço, vou receber colaborações de amigos queridos da blogosfera que vão trazer seus livros favoritos pra dividir aqui com vocês =)

Como cada um tem um jeito de contar a mesma história, os livros poderão se repetir entre os colaboradores, mas a ideia é que o acervo de bulas aumente, e, claro, quem passar por aqui vai conhecer novos blogs também!

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