Para celebrar a primavera (e o fim de semana)

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Sim, pode comemorar. Finalmente o inverno se foi. Nesse fim de semana inicia-se a aclamada primavera. Sei que a gente não fica tão pirado com essas mudanças de estação quanto os gringos – afinal, as mudanças para eles são muito mais bruscas – mas nada impede que a gente comemore o fim dos dias friorentos por aqui.

E para celebrar, fiz uma pequena lista de coisas bacanas que estão rolando nesse fim de semana.

Se a vibe for ficar em casa, a dica é filosofia moderninha. Companheiro do badalado filósofo-pop Alain De Botton, o escritor Roman Krznaric, autor de Como encontrar o trabalho da sua vida (editora Objetiva), parte de uma coletânea da School of Life (que, aliás, é sensacional. Se você estiver se questionando sobre seu trabalho nesse momento, e estiver a fim pensar sobre o assunto com mais profundidade, vale super a pena!), acabou de lançar Sobre a arte de viver.

Eu peguei ontem pra ler, por isso ainda estou bem no comecinho. Mas estou gostando. E acho o máximo esse tipo de filosofia mais moderna, pé no chão, que trata de coisas mais as claras e sem muito rodeio.

Sobre a arte de viver

*Editora Zahar, R$ 44,90

Agora, se você ficou tocado pelo autor, mas tá a fim mesmo é de sair de casa, por coincidência – juro! – ele estará em São Paulo nesse fim de semana! Anota aí na agenda: Domingo, dia 22, às 11h no Teatro Augusta, em São Paulo. Já no outro domingo, dia 29, ele estará no Rio, no Teatro Tom Jobim. Ambos os eventos são organizados pela The School of Life, então entra lá na página deles pra ter mais informações.

Ainda na vibe outdoor, nesse fim de semana está rolando a Paulicéia Literária, a feira literária de São Paulo. Ignácio de Loyola Brandão, Edney Silvestre são alguns dos nomes bacanas confirmados. O evento acontece na Associação dos Advogados de São Paulo e vai até domingo.

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Ah! Até domingo a Livraria Cultura está dando 50% de desconto em mais de 200 títulos da editora Penguin. Entra aqui e dá uma olhada. Tá cheio de clássicos!

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Esse não é mais um livro sobre um viciado em drogas

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Além daqueles livros que estão em destaque na livraria, ou no topo da lista dos mais lidos das revistas semanais – e nos deixam curiosos para saber, afinal, o que esse livro tem que faz tanto sucesso? –  e dos que têm capas convidativas – convidativa, neste caso, é um eufemismo. Tenho uma amiga que me disse uma vez, sem vergonha alguma, que comprava os livros pelas capas. Eu descobri que faço muito isso, mas não tinha coragem de assumir. Então tá aqui, publicamente: eu julgo o livro pela capa – os livros que a gente lê dizem muito do momento que estamos vivendo.

Já faz um tempo que biografias de viciados em drogas me interessam. E isso não é coincidência. É claro que alguma coisa na minha vida me leva a tentar entender o que passa na conturbada vida de alguém que vai por esse caminho. E honestamente, tenho descoberto muitas coisas que têm me ajudado muito.

Apesar de sofrer muito, esse tipo de literatura realmente me ajuda a entender muita coisa. Não faz passar a dor, mas quanto mais informação a gente tem sobre um assunto, menos difícil se torna lidar com ele.

Por isso caiu em minhas mãos a biografia do ex-jogador e comentarista de futebol Walter Casagrande. Comecei a ler ontem. Terminei hoje.

Casa Grande e seus Demônios“, escrito pelo próprio, e com co-autoria do jornalista esportivo Gilvan Ribeiro, o primeiro capítulo já é, de cara, sobre a pior fase de “Casão”: O pico do vício em drogas, o fundo do poço, quando as alucinações passaram a ser tão pesadas, que ele via demônios por seu apartamento. A mistura de heroína com cocaína, maconha, tranquilizantes e bebida alcoólica o levara ao pior dos mundos. E os detalhes não são economizados. E o leitor, por sua vez, não é nada poupado.

Quatro overdoses – uma, inclusive, na presença de um dos três filhos – e algumas tentativas de internações não foram suficientes para tirá-lo das alucinações demoníacas. Foi só quando ele sofreu o acidente de carro em 2007, que a internação compulsória lhe surtiu efeito, um ano depois.

Mas a história não se resume ao problema com as drogas. Se você gosta de futebol, vai se divertir saboreando deliciosas histórias de partidas, viagens, discussões, amizade entre Casão e diversos jogadores. E se você é corintiano, a diversão vai ser em dose dupla, vai por mim.

Falar sobre a droga nessa biografia é inevitável, porque, como em toda história de um viciado (ou ex-viciado neste caso), ela permeia a vida do protagonista. O vício não surge de um dia para o outro. A relação com a droga – ou qualquer outra substância viciante – começa muito antes da pessoa imaginar que poderá ter algum problema com ela.

Com o Casão não é diferente. O caminho maconha-bebida-cocaína-vício é religiosamente percorrido até chegar ao fundo do poço. Mas a história não se resume a isso.

O livro tem grandes histórias de bastidores, coisa que só quem conhece muito bem Casagrande poderia saber. Como, por exemplo, sua briga com Sócrates – e depois a reconciliação – ou o dia de seu casamento e como Casão fez para conquistar a mãe de seus filhos.

Enfim, esse não é mais um livro só sobre um viciado em drogas. Além dessa obsessão que temos por histórias pesadas, a obra é feita de outros fatores capazes de segurar uma boa leitura de final de semana.

 

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*Editora Globo Livros
R$ 34,90

A culpa é das estrelas

 

Chorei algumas vezes com livros. Mas nunca tinha chorado de soluçar, de ficar mal mesmo, com alguma história.

Pois sempre tem uma primeira vez… Comecei a ler A Culpa é das Estrelas na livraria, à toa, esperando uma amiga. Depois de duas páginas, ela chegou. E eu TIVE que comprar o livro.

Três dias depois, numa sexta a noite, eu fiquei em casa. Queria terminar de ler, queria saber o que acontece com Hazel, uma adolescente com câncer, e Augustus, seu namorado, também doente.

Perdi a sexta a noite, perdi o alto astral, ganhei olhos inchados de tanto chorar. O final não é tão óbvio quanto você imagina, mas também não foi só pelo fim da história que eu chorei, evidentemente.

John Green conseguiu escrever uma história triste com grandes sacadas e momentos de bom humor. Claro que é o tipo de livro que a gente não pode ler em qualquer momento da vida, porque deixa a gente muito mal. Mas é bem escrito, inteligente, nada de dramalhão de novela.

E no meu caso, foi bom ter lido e chorado e sofrido. E é bom a gente olhar para outros problemas, para outras questões maiores do que as nossas. Deixa a gente menos medíocre, eu acho. Pensar que existem centenas de Hazels que vivem por aí, respirando com um cilindro de oxigênio que tem de ser levado pra cima e pra baixo, e que sabe que não tem cura e que resta pouco tempo de vida, faz a gente enxergar um pouco melhor a nossa própria existência…

E um dos vários trechos reflexivos é este aí de baixo. Um dos meus favoritos, talvez.

 

 

 

*Editora Intrínseca
R$ 29,90

Os 50 tons de cinza que eu (não) li

Não consegui. Confesso que tive um certo preconceito antes de começar a ler o livro, relutei, mas, mesmo assim, fui em frente.

Tentei. Mas não consegui passar da metade do livro. Pensei que fosse um fenômeno, que todas as mulheres – inclusive as minhas amigas – tinham lido, adorado, se divertido, e devorado em poucos dias e, por isso, eu poderia gostar, pelo menos um pouco, de 50 Tons de Cinza.

Mas nem com toda a influência do mundo, gente. O livro é mal escrito, a leitura é pobre e, numa boa, esse príncipe encantado do século 21 é muito distante de qualquer sonho de princesa. Dar computador novo e carro zero para conquistar menina semi-virgem devia ser proibido em qualquer leitura do mundo moderno. É ofender a categoria!

Ok, essa parte da ofensa foi brincadeira. Mas, de verdade, tenho medo das meninas mais novas se influenciarem por esse livro e acharem que a primeira transa delas vai ser assim, mágica, com um príncipe. Até pode ser. Mas minha amiga, numa boa, gozar três vezes (é sério, pra quem não leu o livro – e isso não é spoiler – a menina goza TRÊS vezes na primeira vez dela. Oi?) na primeira transa é um sonho um pouco distante. O livro podia ser um pouco mais real.

A pobre da Anastasia fica sem fôlego só de ver o galã dela aparecer na frente dela. Isso é fofo, bonitinho, mas, afora a paixão dela pelo primeiro-homem-da-vida, o livro é sem sal. Cheguei na metade e não peguei nenhuma cena sequer de sadomasoquismo.

Eu sei, é uma trilogia, e o livro foi mesmo escrito para que você termine um e já compre, na sequência, o próximo, e isso explica muito o fenômeno de vendas em todo o mundo: Você acaba querendo saber o que vai acontecer. Mas acontece que a história é tão meia boca, que eu acabei pensando que, aconteça o que acontecer no próximo capítulo, eu não vou estar perdendo muita coisa se não ler. E foi pensando assim que ele empacou lá, na metade.

E aos que gostaram do livro (ou melhor, às que gostaram, porque eu duvido que tenha muito homem que tenha lido) topo super abrir um espaço aqui para resenhas positivas. Mas tem que ser convincente. Do contrário, voltamos à nossa programação normal.

*Editora Intrínseca
R$ 39,90

Você é feliz no trabalho?

Terminei esse livro já faz algumas semanas, mas confesso que protelei o máximo possível esse post, por um simples motivo: O autor é um amigo querido, e eu fiquei com medo de não fazer uma resenha à altura.

Continuo com medo. E sei que essa resenha não vai ser à altura. Mas vambora.

O jornalista Alexandre Teixeira já passou por diversos veículos – inclusive o que eu me encontro hoje – e, por conta disso, escreveu muito sobre negócios, empresas, empresários, fórmulas de sucesso e de fracasso no mundo corporativo. Há cerca de um ano (pode ser um pouco mais, não me lembro exatamente), ele largou o emprego na Época Negócios e foi escrever um livro.

Legal né?
Era o que você queria fazer, né? Pois eu digo que, se você ler o livro, vai ficar mais contaminado pela vontade de largar tudo e ir fazer alguma coisa que te dê prazer.

Por meio de cases e depoimentos de diversos CEOs “dos brabos”, como Abílio Diniz, Teixeira mostra como a tal “felicidade no trabalho” é algo palpável, tangível e, mais do que isso, possível. E é aí, meu amigo, que bate a depressão.

Se é possível ser feliz no trabalho, por que você não é?

Será que a sua empresa pensa nisso? Teixeira mostra, por meio de diversos exemplos, o que as companhias estão fazendo à respeito dessa questão, e, de fato, caminhando para um time de funcionários felizes e satisfeitos.

Tá doendo? Vai doer mais. O livro foi um soco no meu já sensível e gastrítico estômago. Passei a me questionar (mais ainda) por que diabos a gente passa tanto tempo no trabalho? Será que realmente estamos produzindo nesse tempo todo? Por que não podemos trabalhar de casa, ter mais benefícios, foco na qualidade de vida, tempo para fazer outras coisas, projetos paralelos, tempo, tempo…

Na semana em que li o livro, fiquei revoltada, triste, questionando por que afinal, um fator tão visceral – ser feliz com o que se faz – não tem a devida importância da maioria das empresas? Por que ninguém quer saber se as pessoas estão felizes? Será que os gestores não percebem que esse é um fator fundamental para qualidade e produção do trabalho? Não seria óbvio que se eu estou feliz – e para isso eu preciso ter mais tempo pra mim, tocar projetos pessoais, ter saúde, satisfação – eu vou produzir mais e melhor? E se já tem gente pensando nisso, por que a minha empresa ainda não o fez?

E eu não estou falando de trabalhar no Google, onde você pode parar a qualquer momento e jogar ping pong se quiser. Nem precisa de tanto, juro. Mas o livro mostra diferentes estratégias, de laboratórios clínicos a supermercados, com exemplos bem diferentes, mas com o mesmo propósito: Colocar o funcionário como um bem da empresa, e, como todo patrimônio, deve ser bem cuidado.

Claro que não parece fácil. Ser feliz no trabalho tem um custo. É verdade. E o livro não tem nada de Polyana com isso: Passa por esse ponto importante também. Mas a minha conclusão é que isso é um investimento e não uma despesa. É mais do que claro que as companhias têm o retorno financeiro depois de um tempo investindo na alegria e satisfação dos funcionários.

Por tudo isso, com todos esses questionamentos e exemplos possíveis, fiquei bastante incomodada com tudo o que li. É o tipo de leitura que não passa batida e, justamente por isso, eu super recomendo. Agora, se você já está num período de incômodo com o trabalho, talvez não seja o momento.

Ou não…

*Editora Arquipélago
R$ 45,00

Como pensar mais sobre sexo

 

Alain de Botton, um dos meus favoritos, em “Como pensar mais sobre sexo” (resenha logo logo!)

A não dica da semana

Quando o assunto era Paulo Coelho, eu sempre vestia a camisa do senso comum e do preconceito. Nunca falei mal (mesmo), mas também nunca falei bem. E pior, nunca fiz questão de ler nenhum livro dele pra saber porque raios eu tomava uma posição tão preconceituosa.

Eu conheço duas pessoas que o conheceram pessoalmente e as duas tiveram a mesma opinião sobre o cara: Ele é um sujeito muito simpático, boa praça, gente fina. Do bem mesmo. Sabendo disso, me deu mais vergonha de não ter uma opinião formada por mim mesma sobre ele.

Então, nessa hora, chegou aqui em casa o novo livro dele “Manuscrito encontrado em Accra“, a 22ª obra do escritor.

Paulo Coelho diz que conheceu o filho do arqueólogo que encontrou um tal pergaminho, e o livro é baseado nas histórias desse material.

A história fictícia narrada por ele se passa em Jerusalém, em 1099, às vésperas da Primeira Cruzada. Enquanto a população teme o que está por vir, uma espécie de guru dá conselhos e respostas sobre as mais variadas dúvidas existenciais.

O livro é dividido em cada uma dessas dúvidas. Uma senhora pergunta sobre o amor, um garoto questiona sobre a coragem, e o por aí vai. Cada capítulo, uma pergunta e uma divagação em torno da resposta.

Essa dinâmica resultou numa coisa: Eu não consegui ler até o final. Fiquei super decepcionada. Achei que fosse encontrar alguma coisa um pouco mais requintada, mas o que eu encontrei foi um monte de frases feitas e requentadas ao longo dos capítulos. Frases de efeito e muitos clichês enchem um livro que acaba não tendo peso nenhum. Senti vazio, falta de história, falta de enredo. Um auto-ajuda bem meia-boca.

Coisas como “A derrota nos faz perder uma batalha ou uma guerra. O fracasso não nos deixa lutar” e “A solidão não é a ausência do amor, mas o seu complemento”, são encontradas ao longo do livro sem a menor conexão com nada. São frases feitas e soltas por aí, que não causam a menor comoção e reflexão. Pelo menos não em mim.

A primeira experiência com Paulo Coelho foi um fracasso. Mas vou dar uma segunda chance. Assim que eu me recuperar da decepção.

*A editora é Sextante, e custa R$ 19,90 no site

A boa concorrência

 

Sempre recebo os boletins cools do B.Coolt.

Agora eu descobri que eles estão com um canal feito só para as dicas de livros que são publicadas semanalmente nos boletins!

O resumo da ópera é que dá pra ficar bem histérica com muitas exclamações de “eu quero esse” e “esse também” e “vou falir”.

O endereço é esse aqui.

Divirtam-se! E um beijo pra conta bancária.

 

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