A visita cruel do tempo

 

Eu acho que estava viciada em romances e livros desses que são mais fáceis de ler. A gente lê rapidinho, entende fácil – até pra uma pessoa como eu que, a cada parágrafo se perde na história.

Foi quando, por indicação de uma amiga, eu comprei A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan. E aí eu entendi o frisson que fizeram por ela na Flip deste ano (ok, além dela ser uma autora linda e as pessoas não estarem acostumadas a essa mistura de inteligência e beleza).

Cada capítulo do livro conta uma história diferente, com um personagem diferente, em um tempo não necessariamente linear. Porém, as histórias contadas têm alguma coisa em comum. Os personagens, de alguma maneira, se cruzam, têm ou tiveram algum tipo de relação em algum momento da vida.

Do meio para o final do livro você percebe que, apesar das relações se cruzarem, e dos vários personagens que aparecem, as histórias se passam ao redor de uma única pessoa. E aí muita coisa passa a fazer sentido.

Quase como uma equação matemática, você cruza as informações e vai entendendo e descobrindo o que a autora quer dizer, já que ela não deixa nada muito claro. E esse é o barato do livro: Depende de você a história fazer ou não sentido. Quem descobre é você. Não tem leitura fácil. As coisas ficam meio subentendidas até você lembrar da história do capítulo anterior, juntar lé com cré, e, bingo!

Confesso que tive que fazer um roteiro na última página do livro, anotando os nomes dos personagens de cada capítulo que eu lia, e qual era a relação com as outras histórias.

E se você é como eu, e esquece os nomes das pessoas na vida real, fica a dica para que anote os nomes de todo mundo pra não se perder no livro também.

É um livro que te obriga a pensar. E é por isso que é muito bom.

 

*Editora Intrínseca
R$ 29,90

A autora que me deixou órfã

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Já tinha ficado alucinada com a Jennifer Egan quando li A visita cruel do tempo (post aqui!). O livro é bom, me fez pensar para poder acompanhar, é cheio de ligações que você precisa fazer sozinho para poder entender. Enfim, foge dos romances fáceis e é bom demais.

Quando disse isso a uma amiga, na hora ela me perguntou se eu já tinha lido O torreão, que chegou ao Brasil depois de A visita cruel do tempo, mas, na verdade, foi publicado antes, em 2006 (A visita cruel foi escrito em 2011).

A história gira em torno do jovem baladeiro Danny, que vai visitar seu primo-problema num castelo na Europa Oriental. Já no primeiro capítulo, somos deparados com uma história traumática ocorrida na infância dos dois e que vai permear todo o romance narrado na vida adulta deles.

Com a proposta de bancar o primo desempregado no castelo, em troca de ajuda para reformar o prédio e transformá-lo num hotel, o primo atrai Danny para o fim do mundo, onde não há TV, internet e nem sinal de celular.

Parece pouco sombrio, mas a história mistura um pouco do realismo fantástico com um suspense e algumas questões familiares (embora esse não seja o centro da narração), deixando cada capítulo mais tenso do que o anterior.

Em paralelo a isso, a autora vai narrando uma outra história, intercalada entre as histórias vividas por Danny no castelo.

Posso contar pouco, pois cada detalhe pode ser importante para juntar as peças do quebra-cabeça. E você não vai querer que eu entregue tudo de bandeja. Mas o que eu posso dizer é que li em dois dias, pirei, e, quando terminei, tive a sensação de estar sozinha, sem algo muito importante que estava comigo.

Jennifer Egan é a autora dos tipos de livros que quando acabam, deixam a gente órfã.

Pena que aqui no Brasil só esses dois títulos tenham sido lançados. Ambos pela Intrínseca. Ambos com lindas capas, e ambos ótimos presentes pra qualquer pessoa que ame ler.

R$ 29,90

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