A visita cruel do tempo

 

Eu acho que estava viciada em romances e livros desses que são mais fáceis de ler. A gente lê rapidinho, entende fácil – até pra uma pessoa como eu que, a cada parágrafo se perde na história.

Foi quando, por indicação de uma amiga, eu comprei A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan. E aí eu entendi o frisson que fizeram por ela na Flip deste ano (ok, além dela ser uma autora linda e as pessoas não estarem acostumadas a essa mistura de inteligência e beleza).

Cada capítulo do livro conta uma história diferente, com um personagem diferente, em um tempo não necessariamente linear. Porém, as histórias contadas têm alguma coisa em comum. Os personagens, de alguma maneira, se cruzam, têm ou tiveram algum tipo de relação em algum momento da vida.

Do meio para o final do livro você percebe que, apesar das relações se cruzarem, e dos vários personagens que aparecem, as histórias se passam ao redor de uma única pessoa. E aí muita coisa passa a fazer sentido.

Quase como uma equação matemática, você cruza as informações e vai entendendo e descobrindo o que a autora quer dizer, já que ela não deixa nada muito claro. E esse é o barato do livro: Depende de você a história fazer ou não sentido. Quem descobre é você. Não tem leitura fácil. As coisas ficam meio subentendidas até você lembrar da história do capítulo anterior, juntar lé com cré, e, bingo!

Confesso que tive que fazer um roteiro na última página do livro, anotando os nomes dos personagens de cada capítulo que eu lia, e qual era a relação com as outras histórias.

E se você é como eu, e esquece os nomes das pessoas na vida real, fica a dica para que anote os nomes de todo mundo pra não se perder no livro também.

É um livro que te obriga a pensar. E é por isso que é muito bom.

 

*Editora Intrínseca
R$ 29,90

Anúncios

Amy, minha filha

Passei uma semana com Rehab na cabeça.

Impossível não martelar as músicas de Amy Winehouse enquanto eu lia a biografia dela, escrita pelo seu pai, Mitch Winehouse.

Amy, minha filha começa meio lento, passando a impressão de um pai culpado tentando mostrar o quanto foi presente na vida da filha, que teve um fim trágico.

Como as coisas na vida da cantora foram muito rápidas – o sucesso, o mergulho no fundo do poço, e o fim – logo o livro já chega na Amy Winehouse que nós todos conhecemos: a voz incrível, o sucesso meteórico e o vício, primeiro nas drogas pesadas como heroína e crack, e depois no álcool.

Em alguns momentos eu parei pra chorar, mas confesso que do meio para o final, o livro se torna repetitivo. Até porque, me parece que a vida de Amy foi uma sucessão de repetições em torno de hospitais, clínicas de reabilitações, shows nem sempre bons e a mídia em cima, o tempo todo atrás das melhores fotos, nos piores ângulos da cantora.

Por ser tudo tão repetitivo, e porque já sabemos como a história acaba, o livro cansa. Uma amiga minha – que foi, inclusive quem me emprestou o livro – definiu bem: É um livro de um pai que tem uma filha como problemas com drogas. É isso. E eu não sei se a vida dela se resume a isso, mas certamente, e infelizmente, isso sintetiza bem o livro.

O que me parece é que a vida do pai de Amy girou, por anos, em torno da recuperação e dos tropeços da filha. Parece que ele não fez mais nada além de correr atrás dela em bares, hospitais, pubs e onde quer que fosse.

Até por isso, o que eu mais gosto em biografias, que é a contextualização do momento, o que se passava na época, quais músicas faziam sucesso (no caso de uma biografia sobre uma cantora), simplesmente não existe neste livro. A história é “apenas” sobre Amy.

Me lembrou um pouco a biografia do Tim Maia, uma das minhas favoritas, onde o cantor passa boa parte da vida na tentativa (sempre frustrada) de se cuidar, cancelando shows e perdendo grandes oportunidades por causa do problema com drogas. Com a grande diferença que, neste caso, o livro escrito por Nelson Motta é uma tremenda aula sobre a música, mas, veja bem, é o Nelson Motta, que não escreve bem. A maior qualidade dele é o conhecimento sobre a música, então, me parece meio óbvio que o livro sobre Tim Maia tenha esse teor.

Enfim, depois da biografia de Amy, ela passou a ser mais querida por mim. O livro humaniza a cantora, traz a tona um problema sério – o vício em drogas – e trata como deve ser tratado: uma doença. Às vezes com cura, outras não.

 

*editora Record, R$ 29,00

Apesar de Rehab ter ficado na minha cabeça, minha música favorita dela é essa, Tears dry on their on.

O álbum, Back to Black, o segundo e último dela em vida, é quase todo inspirado na separação dela com o seu pior companheiro – Blake – com quem ela vive idas e vindas até quase o fim da vida. O maior culpado, na visão do pai, pelos vícios da filha.

Canal do otário. Ou o dia em que eu pensei em comprar um carro

Depois de um dia em que eu esperei 40 minutos pelo ônibus para chegar ao trabalho, e outros 50 minutos esperando para ir para a aula (e perdi a aula, consequentemente), passei a semana pensando se comprava um carro ou se continuava andando de ônibus.

Na verdade, minhas reservas não dariam conta de comprar um carro. Mas a minha raiva poderia me mover, de alguma maneira, a tentar achar uma solução.

Refletindo, esse vídeo caiu no meu colo. Timing perfeito. Na metade dele eu já estava convencida de que, não só não daria conta, como também comprar um carro, definitivamente, não é o melhor negócio.

“O Gol, fabricado no Brasil sai por mais de R$ 37 mil. Na Argentina, O MESMO CARRO, FABRICADO NO BRASIL, sai por R$ 22,5 mil. E no México, que é muito mais longe do que na Argentina, sai por inacreditáveis R$ 18,5 mil, já com o frete e todos os impostos”.

Oi? Foi isso mesmo que você leu.

Resultado: A linha Perus-Pinheiros vai continuar sendo a minha opção por muito tempo ainda. E a cigarra das montadoras deve continuar cantando por um tempo ainda, principalmente depois da prorrogação da redução do IPI dos automóveis.

 

 

O amor é f*

Sei que já falei da minha nova paixão, Nora Ephron, aqui neste post quando comprei, numa tacada só, três livros dela: Meu Pescoço é um Horror, Não me Lembro de Mais nada e O Amor é Fogo.

O fato é que eu ainda não havia terminado de ler o romance dela – O Amor é Fogo – naquela época. Estava tomada pelos ensaios dos outros dois livros e por isso só havia lido o começo do romance que a escritora publicou em 2009.

Rachel é o nome da personagem que encarna o papel da própria escritora, e é por meio dela, que Nora narra a dor do divórcio que enfrentou na vida real.

Com um filho pequeno numa mão e grávida de sete meses, Rachel descobre que o marido está tendo um caso com Thelma, a esposa de um amigo, desses casais de amigos que frequentam a nossa casa e a gente divide receitas com a mulher.

Entre o desespero da constatação e a dificuldade da separação, Rachel conta as memórias dos relacionamentos que viveu, e os diálogo com o marido, com o pai – e os relacionamentos após a morte da mãe – e a melhor amiga, Bety, que tenta descobrir com quem Thelma está tendo um caso – ela não sabe que é com o marido de Rachel e ambas especulam com quem poderia ser até Rachel enfim descobrir e esconder da amiga a vergonhosa descoberta.

No meio de uma piada e uma lágrima, a escritora passa receitas de pratos que fizeram parte de sua história. Receitas que parecem bem interessantes, diga-se de passagem. Daí o nome do livro.

O romance é divertido, apesar do tema ser pesado e a história ser real. Lembra um pouco Sex and the City, mas com um toque um pouco mais inteligente e sem a futilidade das bem resolvidas de Nova York.

Mais um que vai pra lista das dicas de presentes =)

 

*editora Rocco, R$ 26,00

Junte-se a 13 outros seguidores