A não dica da semana

Quando o assunto era Paulo Coelho, eu sempre vestia a camisa do senso comum e do preconceito. Nunca falei mal (mesmo), mas também nunca falei bem. E pior, nunca fiz questão de ler nenhum livro dele pra saber porque raios eu tomava uma posição tão preconceituosa.

Eu conheço duas pessoas que o conheceram pessoalmente e as duas tiveram a mesma opinião sobre o cara: Ele é um sujeito muito simpático, boa praça, gente fina. Do bem mesmo. Sabendo disso, me deu mais vergonha de não ter uma opinião formada por mim mesma sobre ele.

Então, nessa hora, chegou aqui em casa o novo livro dele “Manuscrito encontrado em Accra“, a 22ª obra do escritor.

Paulo Coelho diz que conheceu o filho do arqueólogo que encontrou um tal pergaminho, e o livro é baseado nas histórias desse material.

A história fictícia narrada por ele se passa em Jerusalém, em 1099, às vésperas da Primeira Cruzada. Enquanto a população teme o que está por vir, uma espécie de guru dá conselhos e respostas sobre as mais variadas dúvidas existenciais.

O livro é dividido em cada uma dessas dúvidas. Uma senhora pergunta sobre o amor, um garoto questiona sobre a coragem, e o por aí vai. Cada capítulo, uma pergunta e uma divagação em torno da resposta.

Essa dinâmica resultou numa coisa: Eu não consegui ler até o final. Fiquei super decepcionada. Achei que fosse encontrar alguma coisa um pouco mais requintada, mas o que eu encontrei foi um monte de frases feitas e requentadas ao longo dos capítulos. Frases de efeito e muitos clichês enchem um livro que acaba não tendo peso nenhum. Senti vazio, falta de história, falta de enredo. Um auto-ajuda bem meia-boca.

Coisas como “A derrota nos faz perder uma batalha ou uma guerra. O fracasso não nos deixa lutar” e “A solidão não é a ausência do amor, mas o seu complemento”, são encontradas ao longo do livro sem a menor conexão com nada. São frases feitas e soltas por aí, que não causam a menor comoção e reflexão. Pelo menos não em mim.

A primeira experiência com Paulo Coelho foi um fracasso. Mas vou dar uma segunda chance. Assim que eu me recuperar da decepção.

*A editora é Sextante, e custa R$ 19,90 no site

Qual foi o último livro que você ganhou?

Você já parou pra pensar que os livros que ganhamos podem significar muito sobre a imagem que passamos?
Por que você acha que ganhou um romance fofo da sua avó no último natal, e um livro sobre política do seu pai no seu aniversário?

Quando a gente vai comprar um presente pra alguém, obviamente pensa muito na pessoa. Claro que, às vezes, quando a gente não é tão íntimo do presenteado, ou o conhece pouco, damos um livro daqueles que tá todo mundo falando, e sabe que vai ser presente certo.

O livro pode ser um presente óbvio e impessoal.

Mas, quando falamos de amigos, ou pessoas que nos conhecem minimamente, aí sim é legal pensar: que tipo de livro você ganha? Uma biografia de um cara importante? Uma história de sucesso sobre a revolução cubana? Ou um romance LINDO que te fez chorar?

E você acha que as respostas não dizem muito sobre o que a pessoa que te deu o presente pensa de você? Pare pra pensar: Quais foram os últimos livros que você ganhou? Se foi de alguém próximo, tenha certeza de que o título tem muito a ver com o que a pessoa pensa sobre você.

Marina do bairro

Achei esse Flickr quando fui ilustrar o último post, sobre as pornografias de Hilda Hilst.

Não só achei a imagem pra ilustrar o post, como ainda dei de cara com essa aí de cima, intitulada “Marina do bairro”.

E com essa aqui de baixo, Carla Vingadora

Adorei! Tá tudo aqui, na galeria Fashion, do Zé Otávio.

A pornografia de Hilda Hilst

Num momento em que o assunto é o livro “50 tons de cinza“, da autora americana E.L. James (o primeiro livro da trilogia vai ser lançado no Brasil nessa semana, salvo engano, pela editora Intrínseca), pego carona no factual pra fazer esse post.

Ganhei o primeiro livro, “O caderno rosa de Lori Lamby“, do meu marido por recomendação de uma amiga. Ela disse que leu e ficou chocada. Eu digo mais: Tive até vergonha. É tão bom, tão sexualmente excitante e, ao mesmo tempo, tão errado, que dá até vergonha de gostar tanto do livro.

O primeiro volume da trilogia escrito pela minha conterrânea Hilda Hilst, é o diário de uma menina de oito anos, escrito em primeira pessoa, que conta histórias que unem a pornografia ao cômico, passando pelo assustador e chocante. A linguagem é unica, algo que eu nunca tinha visto antes. A autora brinca com uns trocadilhos, de maneira que só faz sentido porque é escrito por uma criança. Tem umas putas sacadas.
Além disso, as ilustrações são do Millôr Fernandes, outro espetáculo à parte.

É um livro pornográfico, que trata de sexo como algo leve, gostoso, sem culpa. Só que por uma criança. O único jeito talvez de tratar o sexo sem culpa seria por uma criança, creio eu.

A garota vive entre a fantasia e o real, às voltas com as brigas e discussões dos pais, completamente desequilibrados também.

Os outros dois livros da trilogia, “Cartas de um sedutor“, e “A obscena senhora D“, são bem diferentes. Também têm um quê de pornográfico, mas passa longe da perturbadora Lori Lamby. Confesso que comecei a ler os dois, mas ainda não terminei.

Lori Lamby é do tipo que a gente não lê no metrô, por medo da pessoa ao lado ler alguma coisa junto e a gente ficar constrangido.

Sei que o post é pequeno para tratar de uma trilogia, mas realmente a literatura é única. O estilo é individual. Nunca vi nada parecido. Meio sem palavras, literalmente.

Imagem

*Editora Globo
Ganhei de presente os três. E parei com essa de ver os preços dos presentes depois. Sinto muito.

O olé da criatividade

Vídeo inteligente pra aproveitar a sexta-feira e passar o final de semana refletindo.

A autora de Comer, Reza, Amar, Elizabeth Gilbert, falando sobre criatividade. Assista até o final, eu mesma só comecei a entender e encaixar as peças do que ela queria dizer lá pelo 15º minuto.

Bom final de semana. E olé pra vocês!

Xará de cabeceira

Acabei de ler Marina, do espanhol Carlos Ruiz Zafón. Juro que não foi (só) por causa da capa que eu comprei o livro. Já ouvi falar um bocado dele até decidir comprar.

Honestamente, essa linguagem fantosiosa não é a minha favorita. Ao invés de eu me prender, eu acabo me perdendo em tanta figura de linguagem. Mas eu respeito. Acho que a linha entre a beleza da escrita e a “viagem” é tênue, então tenho certo respeito por quem trabalha bem nessa linha, sem viajar demais.

No prefácio, o autor já avisa que Marina faz parte de uma série de três livros que ele escreveu para adolescentes. E haja fôlego pra escrever para adolescentes e vender para adultos.

O realismo fantástico dá conta desse recado. Acho que para escrever com tanta metafóra e figuras de linguagem, tem que ser muito bom mesmo, senão cai num clichê sem fim… Não foi o caso desse livro.

Ok, o autor é famoso, todo mundo diz que ele é bom, e não deve ser à toa né? Talvez escrever assim seja muito mais difícil do que aquela linguagem realista, pé no chão.

A história se passa em Barcelona, terra-natal do autor. Outro ponto legal: Quem já esteve por lá deve conseguir visualizar melhor ainda as descrições de ruas, ruelas e monumentos da cidade espanhola. Não é o meu caso, mas mesmo assim, gostei do pano de fundo. E corri pra cozinha pra fazer pão com tomate depois, mas essa é uma outra história.

Durante suas expedições explorando a cidade, o menino Óscar, que vive num internato, conhece Marina, que vive num casarão antigo com seu pai Germán. Juntos, os dois descobrem quase sem querer um grande segredo vivido há algumas décadas na cidade. E passam a explorar o fantasioso mundo das histórias.

Dá pra viajar junto. Típico livro de férias, desses pra relaxar mesmo, sabe? Se é de adolescente, nem ligo, me senti com 12 anos mesmo, fascinada pelo conto.

Vale pra presente, vale pra levar pra praia, vale pra dar uma espairecida da vida. A história te leva, não precisa de muito esforço. Mas aos desatentos como eu, cuidado: Se você não prestar atenção na trama, dificilmente chegará lucido ao final. As poucas 189 páginas parecem pesar, de tanta informação e história. Tudo se conecta, mas acontece tanta coisa… É bom ficar atento.

Fiquei ansiosa pra terminar o livro e dividir ele aqui. Mas depois que acabou, me arrependi de ter lido tão rápido. É o tipo de livro que a gente economiza, sabe? E sim, chora no final. Bravo!

*Editora Suma de Letras
Cerca de R$ 24,00

Quanto um livro pesa no seu bolso?

Recebi essa informação agora cedo: Preço médio do livro continua em queda, de acordo com a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial

Diz o estudo que o preço médio do livro, incluindo todos os gêneros, recuou 6% nas vendas das editoras ao mercado, no ano passado. Veja bem, nas vendas da editora pro mercado. Ou seja, esse “recuou” não significa que o preço caiu pra você, consumidor comum, que compra na livraria.

Ainda de acordo com a pesquisa, desde 2004, essa redução foi de 21% nos preços. E mais: descontada a inflação, a queda chegou a 44% entre 2004 e o ano passado.

O setor atribui essa redução à desoneração do PIS e da Cofins (impostos, basicamente) para os livros, medida que vigora desde 2004. Além disso, a crescente demanda por livros e a concorrência do mercado, ajudaram a baixar os preços.

Os dados confirmam a alta procura. Segundo pesquisa FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o total de livros vendidos no ano passado foi de 469,5 milhões.

 

A título de curiosidade: os e-books foram incluídos pela primeira vez na pesquisa do setor editorial.

No ano passado, foram lançados 5,2 mil títulos no formato digital. Em relação às vendas, o total corresponde a um faturamento de cerca de R$ 870 mil.

Você sentiu alguma diferença no bolso? Acha que essa redução chegou pra você? Comprou mais livros no ano passado do que em 2010?

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