Vinho quente

Se você já ouviu falar em boicote aos vinhos nacionais por aí e não entendeu ilhufas, vou te dizer uma coisa: Eu também não tava entendendo nada. Até ter que escrever uma nota sobre isso.

Então vou dividir aqui o que tá rolando. Aceito meu pagamento em espécie. De vinho mesmo.

O governo brasileiro anunciou que está estudando algumas medidas de salvaguarda para o vinho nacional. Medidas de salvaguarda são algumas ações pontuais que o governo adota para proteger algum setor da dos produtos exportados. Essa medida tem data e hora pra começar, então ela é provisória.

Voltando. Após esse anúncio, as importadoras de vinho e alguns formadores de opinião (inclusive o vice-presidente da Associação Brasileira de Sommeliers, Mario Telles) se manifestaram repudiando essa possível iniciativa do governo.

A salvaguarda pode ser o aumento do imposto sobre os vinhos importados (sim, aquele seu “português razoável” e o “chileno do Pão de Açúcar que quebra um galho” podem ficar mais caros).

O governo estuda também exigir que todo vinho que entrar no Brasil tenha no rótulo da frente um adesivo em Português falando da procedência e com outras informações. Sabe aquele rótulo que já vai atrás de todo vinho importado? Pois é, querem que, além desse, haja outro na frente da garrafa.

A diferença é que o adesivo que vem atrás explicando tintin por tintin sobre o vinho, tudo em português, é adicionado à garrafa aqui no Brasil. Esse novo, que o governo pensa em exigir, teria de vir de fora já colado na garrafa.

Isso dificulta a vida dos produtores e importadores. Imagina só você, que eles teriam de confeccionar um adesivo exclusivamente para os vinhos exportados para o Brasil. Já entendeu né? As pequenas produtoras simplesmente desencanariam de exportar vinho pra gente.

O que mais chama a atenção, é que o setor de vinhos nacionais cresceu 7% no ano passado. Pensa. É mais do que o crescimento do PIB (é, quase nada pode ser comparado ao crescimento do PIB do ano passado. Mas vamos adiante). Na verdade, não ficou muito claro o real motivo do governo querer proteger um setor que está crescendo, sacou?

Se essas medidas forem tomadas, isso vai se refletir diretamente no seu bolso. Por isso fala-se em boicote ao vinho nacional. Agora, se você vai ter cacife para pagar ainda mais pelos vinhos importados e resistir aos preços dos nacionais, aí já são outros quinhentos.

Saúde!

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Sobre esse tal de acordo automotivo

Antes de entrar em desespero e sair correndo pra concessionária, respira.

Agora sim, não precisa correr. Nada muda pra gente com esse tal de acordo automotivo entre o Brasil e o México.

O lance é assim: O México é um grande exportador de carros para o Brasil e vice-versa. Por isso, em 2002, os governos desses dois países criaram esse acordo que, basicamente, isenta os veículos da taxa de importação de até 35% que é cobrada de carros vindos de fora do México e do Mercosul.

Pois bem. No ano passado, a quantidade de veículos mexicanos que entrou aqui cresceu 70% em relação a 2010. Isso representou US$ 2,4 bilhões em vendas de carros mexicanos aqui no Brasil.

Acabou que ficamos no negativo, importando mais do que exportando, e a conta fechou num déficit de US$ 1,6 bilhão.

Sendo assim, o governo brasileiro renovou o acordo com os mexicanos fazendo uns pequenos ajustes, sendo que a mais importante foi estabelecer uma cota de veículos vindos do México, que ficou assim:

O México vai poder exportar para o Brasil US$ 1,45 bilhão no primeiro ano, US$ 4,56 bilhão no segundo ano e US$ 1,64 bilhão no terceiro ano do acordo, que começa a valer agora (valendo!).

Outra coisa importante foi que o México vai ter que produzir seus carros com mais peças fabricadas na América Latina, valorizando o produto daqui.

Ou seja, para o consumidor final (nós, no caso. Ou você, já que eu não compro carros, por déficit na minha balança), nada muda.

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