Novidade!

Estou lendo A Cultura da Participação, de Clay Shirky. Foi um livro recomendado pela Drica Guzzi, em uma das aulas do curso de extensão de Comunicação em Mídias Sociais da FAAP.

O livro é beeem bacana, fácil de ler (nada daqueles pseudo-teóricos-impossíveis), e o melhor de tudo: Me deu uma ideia nova pro blog =)

Aguardem!

E a resenha, eu escrevo assim que terminar de ler.

 

*Pra quem quiser, a editora é Zahar, e custa R$39,90 no site.

 

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A primavera do dragão – A juventude de Glauber Rocha

A história começa assim: Lá atrás, em 1989, o jornalista e escritor Nelson Motta teve a ideia de fazer a biografia de Glauber Rocha.
Começou a colher material, entrevistar pessoas, apurar. Quando descobriu que nada menos do que Zuenir Ventura estava fazendo o mesmo trabalho, desistiu na hora.

Acontece que um belo dia, o carro onde todo o material, fitas e anotações de entrevistas de Zuenir estava foi roubado. Foi-se a ideia, foi-se o trabalho. Zuenir fez anúncios em jornais, foi às rádios pedindo o material de volta – apenas o material, e não o carro – e nada…

Muito tempo depois, os escritores se encontraram e falaram do episódio. Foi quando o autor de Noites Tropicais (na lista de espera) e Vale Tudo – o som e a fúria de Tim Maia (A-M-O esse livro) resolveu retomar o projeto. Concluído em janeiro de 2011, quando se completavam 30 anos da morte de Glauber Rocha, A primavera do dragão – A juventude de Glauber Rocha foi lançado pela editora Objetiva, com capa vermelha laminada e miolo, digamos assim, enchendo um pouco de linguiça (quem folhear o livro, vai entender heheheheh).

A história é bacana, e o livro também. Narra bem a juventude de um dos mais brilhantes e geniais cineastas brasileiros.

O livro vai até Deus e o Diabo na terra do sol – ou seja, para bem quando a coisa começa a esquentar na vida profissional de Glauber Rocha. E em relação a isso, eu fiquei bem frustrada.

Não sei se por falta de informação, ou se a ideia era essa mesmo – contar o começo de uma grande história e te deixar com vontade de procurar saber mais depois – ou se eu fiquei muito encantada com a biografia do Tim Maia e a expectativa com o segundo livro de Nelson Motta acabou sendo grande demais.

Mas o fato é que, lendo o último parágrafo, virei a página e dei de cara com os créditos das fotos que estão ao longo do livro. Senti que faltou alguma coisa, ainda que a ideia fosse essa mesmo.

Maaaas, de fato é legal saber que Jorge Amado (apenas!) foi o padrinho de casamento de Glauber e Helena Ignez. E que Caetano Veloso namorou Necy (irmã de Glauber), ou que o sangue retratado em Deus e o Diabo na terra do sol era, na verdade, chocolate (filme em PB, lembram-se, crianças?).

Na verdade, a maior carga de informação está ano final, quando é contada em detalhes as filmagens de Deus e o Diabo… O resto, me pareceu pílulas divertidas de curiosidades que você conta por aí pra posar de intelectual, como eu acabei de fazer no parágrafo acima.

Por fim, parece-me que texto não é o forte do autor, que escreve de uma maneira bem simples – o que não é de todo o mal, já que a gente acaba lendo rápido. Mas quando li a biografia de Tim Maia, achei que o escritor compensava o texto pobre com grandes doses de informações e conteúdo. Não é o caso deste último livro. Mas ainda assim, vale a pena.

*Editora Objetiva, por volta de R$55,00.

A segunda é minha: E por falar em Natal…

Atrasada, mas tá aí!

O peru já tava marinando de véspera. Morreu mais cedo dessa vez. Encheram de miúdos e farofa, amarraram as pernas e tacaram no forno. Eu sempre achei o ritual bizarro, mas nunca disse não pra um peru de Natal. De Natal, que fique claro, porque estamos aqui pra falar do aguardado (not) feriado cristão, onde todos se amam e se perdoam. Agradecem por mais um ano que passaram com saúde e brindam o aniversário de cristo.

 Honestamente, eu poderia muito bem passar sem essa.

As bolas vermelhas com fitilhos verdes se misturam facilmente às frutas da festa-do-caqui na qual o aniversário do Menino Jesus se transforma, anualmente, lá em casa.

Começa dois dias antes, que é o dia do aniversário da minha mãe. Ela fica nervosa, achando que não vai dar tempo de fazer tudo, convida pouca gente e sempre, eu digo, sempre, deixa de avisar que é o aniversário dela. Simplesmente diz: “Vem aqui em casa tomar uma cerveja”. Tipo dia 23 de dezembro, como quem não quer nada ou não tem quase nada pra fazer pras festas que se aproximam.

As pessoas até vão, porque ela é uma querida mesmo, mas não sabem que é aniversário dela… Aí, sempre chega um e diz “Feliz aniversário” e o constrangimento dos que não sabiam e não levaram nenhum presente é geral. Na sequência chega meu pai, desavisado da hora, sempre atrasado, e a festa começa. A festa continua. E vai. E chega mais gente. E a minha mãe – pobre aniversariante – se cansa dos convidados e quer ir embora da festa. Dela.

A mesa da sala vira roda de samba, meu pai começa a cantar desafinados versos do Chico Buarque, minha mãe fica com vergonha e quer sair da sala. Da festa. De casa. Vai até a árvore de Natal e acende as luzinhas, fazendo uma prece baixinha pedindo pros convidados maneirarem no barulho porque “o pessoal comenta depois”.

Dia seguinte, já estamos com 50% de rendimento apenas, e a casa, idem. E é dada a largada para o Natal. Coloca o aclamado peru no forno, bate as claras em neve, checa as frutas e bebe, bebe uma cervejinha porque o nosso Natal é tropical, bebê, e faz um calor de Deus na cozinha nessa época do ano.

Final do dia, 10% a menos de rendimento, tomamos um banho e a coisa melhora tipo 5%. E é dada a largada ao segundo round. No meu caso, o terceiro, porque o primeiro foi no dia anterior: Mais cerveja, um vinhozinho e um espumante perto da meia noite.

Os presentes são trocados. Isso no caso das famílias comuns. No meu, a ansiedade da família Rossi não permite a espera pela meia noite. Trocamos todos os presentes do dia 23 mesmo, junto com o aniversário da progenitora. Ou seja, meia noite, estamos bêbados e sem presente.

No dia 25 é o último set. Acordamos meio esquisitos. O fígado já não responde muito bem e chegamos a marca de 10% de aproveitamento. Aquele chorinho, que só nos permite sentarmos a mesa, repetirmos a ceia – ou o que sobrou dela – e abrirmos mais uma cerveja. Afinal, é Natal. E ninguém tá aqui pra brincadeira.

Depois do dia 25 você tem exatos 5 dias pra melhorar e aumentar o rendimento. Pois chega o Reveillon. Mas aí já é outra história…

Imagem.

A insustentável leveza do ser

Eu amo a Companhia de Bolso e suas edições mais baratas e simples de grandes livros, que faz parte da Companhia das Letras. Por isso, quando vi A insustentável leveza do ser nessa edição, TIVE QUE comprar.

Não só pelo preço, mas, claro, pela leitura obrigatória que eu ainda não havia cumprido.

Esse é o típico livro que todo mundo tem (e sua mãe e seu namorado olham espantados perguntando: Por que você comprou? Tem lá em casa!), mas que você tem que ter a sua própria edição, sabe? Até porque, fiz várias anotações, marcações, exclamações, interrogações…

O romance, publicado em 1984 por Milan Kundera, acontece em Praga e um pouco em Zurique, e tem a política como pano de fundo, pois se passa durante a invasão russa à Tchecoslováquia.

Narra os encontros e desencontros amorosos de Tomas, Teresa, Sabina e Franz, com observações contundentes do autor ao longo da narrativa, que cita Permênides e Nietzsche, entre outros filósofos como apoio às teorias e conclusões chegadas por Kundera.

Honestamente, se o romance fosse corrido, sem as intervenções do autor, muita coisa se perderia, mas não o fôlego… Fiquei um pouco cansada das explicações feitas em determinados momentos que, por si só, já se explicariam.

Mas a história é linda e vale a reflexão sobre arranjos e combinações feitas nos relacionamentos, sobre liberdade e comprometimento, sobre como cada caso é um caso, como a cabeça da gente entra em parafuso e acaba por escolher justamente aquilo que nos assombra… Como é insustentável ser leve e como o peso da vida é vitalmente necessário. E contraditório.

*Paguei R$24,00 na Livraria Cultura. Mesmo preço do site da editora.

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