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Folha de São Paulo, domingo, 29 de janeiro de 2012

 

 

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A segunda é minha: Pequeno manual da mãe 2.0

 

Pequeno manual da mãe 2.0

Capítulo 1 – Inicializando

 

Eu sei mãe, eu sei que para você, que viajou milhas e milhas a bordo de um Fusca amarelo-ovo até Trindade, apenas com uma barraca de lona e um biquíni de bolinha no bagageiro, em busca de paisagens e cachoeiras incríveis, e um “visu massa” fica difícil entender como é possível “viajar na Internet”.

Eu compreendo que você, que viu o homem pisar na lua numa TV preto e branco, sentada no chão da sala, não consegue sacar como é possível ver as crateras do satélite pela tela de um computador ao-vivo. E que a sua geração, os baby-boomers, simplesmente não compreende que raios de geração XYZ é essa.

E eu até entendo que você faz parte de uma geração que era livre para sonhar, ouvia os Beatles e Pink Floyd na vitrola e hoje se vê perplexa diante de milhões de músicas que podem ser adquiridas na rede, de graça, e em questão de segundos.

Compreendo que para você, que lutou contra a ditadura, foi pras ruas, apanhou da polícia e quase foi presa, parece ser piada quando alguém te fala em “revolução digital”. Que raios de revolução é essa, que não exige os pés no asfalto, a voz no megafone, uma assembléia geral, e os companheiros de centro acadêmico atrás de um carro de som? Como alguém que nasceu numa sociedade democrática, votou pela primeira vez numa urna eletrônica, não sabe que diabos é um mimeógrafo ou que acha que Libelu é o nome de uma nova rede social pode falar em revolução?

Sei também que os seus amigos, que tiveram a primeira e única geração de filhos de hippies da história da humanidade, ficam chocados quando vêem a Claraluz por horas na frente do computador. Ou o Pedro Sol, criado livre, sem roupas, sem regras, inventando uma rede social cheia de códigos e normas para participar. Ou até eu, que nem tenho um nome muito hippie, mas só levava tomate e ovos cozidos pro lanche comunitário da escola construtivista lá de Campinas.

E que é esquisito achar que essa minha geração de filhos de pais hippies-comunas se auto-intitula defensora da natureza só porque participa da comunidade do Greenpeace no Orkut, ou virou sócia do S.O.S Mata Atlântica pagando uma mensalidade pela Internet e agora organizam manifestações pela rede. Mas é assim que os Cauês, Raonis, Uibirás, Moiras e Moemas se organizam, mãe, e dizem não a Belo Monte, dizem sim ao Metrô e reclamam do preço da passagem. A revolução começa na rede, desce o elevador, passa pelo porteiro e gol: Está nas ruas. A Internet só ajudou a organizar o movimento.

Mas eu sei que pra você as coisas não fazem tanto sentido assim. Sei de tudo isso. Mas até as revoluções são uma metamorfose ambulante. E é preciso acompanhá-las. Você não pode simplesmente ser alheia a essa reviravolta virtual. É uma nova era que surge, entende? Não adianta querer ficar fora dela: Ela já está dentro de você.

Certa vez, a mãe de um amigo meu foi ampliar as fotos da família. Eles haviam viajado e por isso, a máquina estava cheinha de fotos memoráveis. Ela então, se dirigiu até uma loja, entregou para a atendente o que julgava ser o chip da câmera, e pediu, sem titubear: No papel fosco, por favor.  A atendente ficou meio sem graça, houve um silêncio meio constrangedor na loja, e finalmente ela disse à mãe do meu amigo: “minha senhora, essa é a bateria da máquina… Precisamos do chip, que é onde as fotos ficam armazenadas”.

Contando essa história para um amigo de uma amiga minha que eu conheci num boteco sujo na Paulista, ficamos alguns minutos rindo dessa mãe, que devia ter pensado “se tem muitas fotos, deve ser esse compartimento maior aqui”. Logo em seguida, ele mesmo confessou ter uma história parecida. A mãe dele, quando a câmera fotográfica dela fica com a memória cheia, ela simplesmente compra outro chip, ao invés de descarregar tudo no computador e usar de novo. Ela já tem cerca de 10 chips. Sim, ela trata um chip da mesma maneira que trataria um rolo de filmes da Kodak: guarda todos.

Por isso, mãe, é que vocês precisam acompanhar essa marcha. Não podem mais ficar a mercê dessas brincadeiras da nova geração. Chega de ser motivo de chacota na Fotóptica! Vocês podem aprender a diferenciar um chip de uma bateria! São coisas muito distintas, mãe. É como comparar o Sarney com o Suplicy. Chip é chip, e bateria é bateria. Suplicy é o Suplicy, e o Sarney, bom, deixa pra lá.

Mas voltando, a rede é uma coisa das antigas, sabia? Das antigas mesmo, da época da minha avó até. Lembra daquelas revendedoras de Tapware? Elas se reuniam, discutiam as vendas, as estratégias, valores, e, não raramente, os problemas em casa, a família, os filhos… Isso era uma rede! Uma rede de pessoas com o mesmo objetivo – vender os tradicionais potinhos resistentes de plástico. Isso já era uma rede, lá atrás. Hoje ela simplesmente se virtualizou, mas a essência é exatamente a mesma.

As pessoas hoje fazem reuniões virtuais, realizam cursos virtuais, compras virtuais, e, constantemente, conhecem outras pessoas, namoram e casam pela Internet. É fantástico! É sim a revolução! A revolução dos chips, da mobilidade, das redes, da conexão, da transmídia!

O que? Me empolguei? Ok, voltemos ao fusca amarelo que te levava para Trindade. Pois bem, imagine que nesse Fusca coubessem muitas pessoas. Imagine, vai, é só um exercício. E que todas essas pessoas estivessem indo para o mesmo lugar. Tá, pode ser Trindade. E que no caminho, discussões incríveis sobre a luta armada rolassem, mas, no meio dessas discussões, algumas pessoas estariam lá apenas pra ir para Trindade e não para discutir a revolução. Então, essas pessoas falavam umas besteiras de vez em quando, que te fazia ter vontade de expulsá-las do seu Fuscão politizado.

Pois bem, o fusca é uma rede social, e todas essas pessoas lá dentro são as seguidoras dessa rede. Trindade é só o objetivo final, mas o que acontece dentro do Fusca é a verdadeira realidade. E se não fosse dentro do seu Fusca, seria em outro, talvez naquele Fusca azul do seu ex-namorado hippie.

Resumindo: O Twitter, por exemplo, é um grande Fusca amarelo cheio de gente, falando de todos os assuntos, dos mais pertinentes, aos mais desnecessários. E se você não quiser mais saber o que alguma pessoa tem pra dizer, você simplesmente deixa de segui-la, ou seja, tira ela do seu Fusca amarelo. Sacou? Essa pessoa pode entrar no Fusca azul do Décio, e continuar na estrada pra Trindade, mas no seu Fusca ela não viaja mais. Ela tá fora da sua rede, mas continua dentro da rede dela, com o mesmo destino final. Massa, né?

E isso vale para todas as redes sociais. Existem redes específicas, só para achar amigos da infância, outras para procurar trabalho, outras para discutir política – sim! O Fusca amarelo de novo! – outras para vender coisas, escutar música, arrumar namorado, amante, discutir o movimento gay, a adoção de animais, e até sem um objetivo certo, apenas para falar sobre o que você quiser.

Por tudo isso, e porque eu sei que vocês não nasceram clicando no botão do mouse, e, por conta disso, vocês dão dois cliques em absolutamente tudo, é que eu resolvi escrever esse livro. Pelo direito da Mãe 2.0. E se você não sabe o que significa 2.0, esse é mais um motivo pra você ler esse livro até o final.

 

*Quantas ideias de livros você já teve? Quantas delas você chegou a colocar no papel?
Essa é uma das ideias que eu já tive e, por insistência, comecei a escrever. Esse é o primeiro capítulo e a ideia é publicar outros por aqui. Vamos ver se eu coloco no Word…

 

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A boa concorrência

 

Sempre recebo os boletins cools do B.Coolt.

Agora eu descobri que eles estão com um canal feito só para as dicas de livros que são publicadas semanalmente nos boletins!

O resumo da ópera é que dá pra ficar bem histérica com muitas exclamações de “eu quero esse” e “esse também” e “vou falir”.

O endereço é esse aqui.

Divirtam-se! E um beijo pra conta bancária.

 

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A segunda é minha: Ahhh o Paulistããno…

Uma singela homenagem aos nascidos na aniversariosa São Paulo.

Ahhhh de quantos hábitos peculiares é feito um paulistano…

Anda na garoa, sem nem perceber que tá molhando. Talvez porque já esteja acostumado, ou até porque tenha nascido meio impermeável. Têm aqueles que já desenvolveram, com o tempo, uma fina película que o protege da chuva, que brotou na pele, feita de uma combinação de fumaça e poluição.

De quantas vidas é feito um paulistano, que aos sábados deixa o carro na garagem e sai de metrô porque é cool, e aos domingos ensolarados corre no Ibira feito um cão labrador feliz.

Se faz sol já sabe até a roupa que vai usar: aquele modelito para os dias azuis. São poucas as opções.

Mas são poucos os dias azuis também. Não existe calor em São Paulo.

Se chove, continua na moda: comprou galochas de borracha personalizadas e capas de chuva coloridas, pra dar um contraste com o cinza do céu.

Ahhhh o paulistano… Insiste em falar tudo anasalado, com sotaque da Mooca, mesmo tendo nascido no Itaim. Desce do elevador já de fone nos ouvidos e quando não, cumprimenta o porteiro e o mendigo que dorme na calçada do prédio.

Demora uma hora  e meia de casa até a firma, e ainda diz que “é rapidinho”. Como é conformado, o paulistano!

Compra ingresso pro cinema antes, põe o nome na lista da balada, abastece o Bilhete Único, passa na banca pra comprar mais um guarda-chuva e segue o rumo pela Cardeal.

De quantos hábitos peculiares é feito um paulistano… Come milho sem a espiga, feijoada vegetariana e insiste em pedir chope sem colarinho e cachorro-quente com purê.

Se faz calor, faz demais. Se faz frio, é um frio du caralho. Se chove. Bem, se chove é normal…

Por isso mesmo o Paulistano não tá acostumado com o corpo de fora e, se passar uma mulher na rua de shorts, saia ou vestido, não consegue se controlar e vira o pescoço, buzina – como se precisasse de mais buzinadas nas ruas – grita, chama… Ahhh como é gentil o Paulistano diante de trajes femininos de verão.

É fã do Criolo, lê as crônicas do Xico Sá, faz ioga, mas continua xingando no trânsito. Quando tá deprê,  anda na Paulista ouvindo What’s up, aos prantos, só porque a cena tem a ver.

Deixa de pagar o condomínio, mas não perde o jogo do Curinthia. Ainda não entendeu direito todas as leis da cidade e continua entrando no banco falando ao celular e fumando nos bares.

Anda no ônibus com o iPode num bolso, o Smartphone na mão e a mochila nas costas. Mal ouve o que as pessoas falam pra ele, mas não bobeia e não passa do ponto nunca. Como é sagaz o paulistano!

Toma café da manhã na hora do almoço e almoça na hora do jantar. Faz disso um hábito na firma e esquece a hora de ir embora do trabalho. Mas no dia seguinte, lá tá o paulistano, subindo a Cardeal, de calça jeans e galocha, na garoa sem guarda-chuva.

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A dança dos livros

 

Esse vídeo é lindo lindo lindo, e me inspira a continuar comprando livros e deixar a ideia do iPad pra lá =)

 

Mais trabalhos da artista aqui. (inclusive o primeiro vídeo da série)

#Ficaadica

 

Pra quem ama ler e tá meio sem grana, ou pra quem tá ficando sem espaço em casa, soterrado pelos livros, e não sabe o que fazer com eles, desapegue!

Esse sebo na Vila Madalena, aqui em São Paulo, tem diversos títulos à disposição de quem quiser dar uma passadinha lá e levar pra casa… de graça!

Claro, eles vivem de doação. Então se você quiser aproveitar o começo do ano pra fazer aquela faxina na sua estante, leva lá ;)

Eles ficam na Rua Belmiro Braga, 146, na Vila Madalena.
11 3812 8684

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Crianço para Oscar de melhor ator de livro!

 

*Por Analu Andrigueti, de A matadora de orquídeas

Tenho culpa no cartório. E tenho provas contra (?) mim. A própria autora de Brevida, Juliana Amato, autografou no meu livro algo como “Para Analu, que me mandou o link do concurso”.  Explico: fui eu quem falou para essa jovem escritora – amiga de um amigo meu – mandar alguma coisa para o concurso da editora Edith, voltado só para mulheres. Ela mandou. Concorreu com finalistas fortíssimas (Laís Tapajós, Martha Nowill, entre outras) e ganhou de 60 escritoras, no total.

(Ah, então porque ela é meio “cria” minha, vou dar um desconto e achar o livro bom, mesmo sendo médio? Nunca, jamais. Vou ser mais exigente ainda!)

Deixei o livro hibernar umas semanas na estante até a oportunidade de viajar (literalmente) com ele. Como Brevida é breve desde o título até o tamanho, passando pela linguagem do protagonista, Crianço – já já falo mais dessa criação/aberração da Juliana –, torna-se o livro ideal para viagens, super portátil e bom para ler de uma tacada só.

No aeroporto, o voo atrasou. Pra variar. E dessa vez nem reclamei, porque já estava hipnotizada pelas palavras infantis, meio débeis, ditas por um menino-homem superprotegido/demolido pela mãe – que ele chama de mamã –, o tal Crianço. Ele não tem nome. Nem a mãe. Nem a assistente social, para quem a mãe o delega.

(Curioso: Crianço não sabe fazer nada. Só sexo. E parece que ele é bem bom nisso. Como se fosse pouco mais do que um animal.)

Em Brevida, são poucos os personagens. Mas são fortes, complexos, desconcertantes. Mesmo falando desse jeito, raso, BREVE. Acho que nunca vou me esquecer de Crianço. Acho que Crianço merece Oscar de melhor ator de livro!

E o contraponto ao Crianço é uma socialite (nojenta) que aparece no meio do livro dando uma entrevista para uma revista de fofoca. Aquelas perguntas bestas para respostas idiotas. Mas ela também não é uma celebridade qualquer. Durante a entrevista, conhecemos seu lado “B”.

E, de uma maneira muuuito inusitada, é o sexo que une essa personagem do mundo de Caras ao “portador de necessidades especiais” (e pobre), Crianço. É a tal linguagem universal dos… homens? Ou seria dos animais?

Bati o olho na crítica do Renan Nuernberger que está no blog da Juliana e li o nome “Macunaíma”, associado ao protagonista de Brevida. Pensei: “putz, como é que não me liguei disso antes?”

Simplesmente porque, para mim, Brevida não me parece com nada do que já li. Falando assim parece que o livro é um OVNI, alguma coisa fora da realidade. É e não é.

Se você gosta do que é realmente novo, corra atrás do seu Crianço!

Brevida, de Juliana Amato
Editora Edith, R$ 30

 

Nova seção!

 

E como prometido, hoje inauguro uma nova seção por aqui: Pílulas alheias.

Nesse espaço, vou receber colaborações de amigos queridos da blogosfera que vão trazer seus livros favoritos pra dividir aqui com vocês =)

Como cada um tem um jeito de contar a mesma história, os livros poderão se repetir entre os colaboradores, mas a ideia é que o acervo de bulas aumente, e, claro, quem passar por aqui vai conhecer novos blogs também!

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Livro fofo do mês: A Parisiense

Ganhei ontem o primeiro livro-fofo do ano: A Parisiense, O guia de estilo de Ines de La Fressange.

Aí, tive que interromper as leituras do momento pra dar uma “olhadinha” no livro novo. Não me aguentei e fui até o fim. A partir de amanhã, voltamos com a programação normal.

Ex-modelo e, pelas minhas pesquisas, considerada uma das mulheres mais elegantes do circuito fashion, Ines dá dicas bem-humoradas desde combinações de roupas, acessórios e bijux, passando por endereços de compras, hospedagem e restaurantes bacanas em Paris, até como receber os amigos em casa e fazer um jantar très chic e simples. (Já se ligou que chic é ser levemente blasé, né?)

Com requintes de conservadorismos – ela chega a dizer que “sua joia mais bonita é a sua aliança de casamento” – e pitadas de (maus) hábitos franceses – como o ato de escovar os dentes, citado três vezes ao longo do livro (oi?) – o livro é todo ilustrado, colorido, desenhado e com fotos exemplificando os looks sugeridos, cuja modelo, é a própria filha (LINDA, por sinal!).

A maioria das dicas são bem pé no chão, e trazem pra realidade os segredos e macetes do mundo fashion, como modelitos a serem usados em determinados eventos e até em determinadas idades. No fim, a conclusão é que você não precisa morar em Paris pra ter o visual e elegância de uma parisiense. Porém, precisa ter sete itens básicos no seu guarda-roupa pra ficar relativamente bonitinha:

– Blazer
– Capa de chuva (só incluí esse item porque moro em São Paulo. amigas campineiras, pulem essa parte)
–  Suéter azul-marinho
– Camiseta sem manga
– Pretinho básico
– Jeans
– Jaquete de couro

Anotou?
Então anota também a editora – Intrínseca.
Já vi pra vender em vários lugares, mas esse eu ganhei. Ainda assim, burlei a regra básica da boa educação (não aprendi nada com o livro, você deve estar pensando…) e fui ver quanto custa no site da editora: R$49,00 por uma capa linda vermelha, páginas coloridas e ilustradas e um texto divertido.

Ótima dica de presente pra quem gosta de moda, decoração, ou só de um livro bonito mesmo.
Eu, particularmente, adorei ;)

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