A segunda é minha: A paixão platônica e a mulher do super-homem


Eu nunca havia parado pra pensar nas mulheres dos caras por quem eu nutria uma paixão platônica. Por motivos óbvios, eu só imaginava o cara. Sozinho. Sem nenhum impedimento.

Até o dia em que, num boteco qualquer, eu conheci de perto um dos homens por quem eu era apaixonada.
Ele e a mulher dele. Ali, na mesma mesa que eu.

Confesso que passei muito mais tempo olhando pra ela do que pra ele.
O cara por quem eu passara um tempão alimentando uma paixão platônica bem ali na minha frente, e eu não conseguia parar de olhar… para a mulher dele.

Mas, porra!  Afinal, quem era aquela mulher que conseguiu o que eu até então achava impossível, que era amarrar o coração do homem que pra mim sempre fora inatingível? Como ela ousara me provar que uma paixão platônica era possível?

E lá estava ela, nem gorda nem magra, nem alta nem baixa, meio intelectual meio de esquerda, com um rosto até que bonito, mas que poderia ser qualquer amiga minha. Pior, podia ser eu mesma.

Pagamos a conta no boteco e fomos para um show. Ela foi capaz de se tornar mais real ainda, quando pegou o resto de caipirinha que havia sobrado no copo e passou pra uma garrafa d’água vazia, de plástico, para poder ir bebendo no caminho.

Fiquei perplexa. Dos altos dos meus 26 anos, nunca havia visto uma mulher tão inimaginável se materializar desse jeito. Jamais vou me esquecer dessa cena.

Não, não foram os olhos dele que, de perto eram muito mais bonitos. E nem a conversa, que ao vivo, era muito mais interessante. Muito menos o sorriso dele que eu passara anos vendo apenas em fotos e anúncios… O que de fato me hipnotizou, foi a mulher dele colocando o resto da caipirinha na garrafa de plástico.

Ela tinha a petulância de ser como eu! Ou pior, poderia ser eu! Quem ela pensava que era ao me comparar com a minha paixão platônica? Ao lado dele, ninguém poderia ser de carne osso.

Ela era normal ao ponto de beber um drink até o fim, com o cabelo cheio de frizz na chuva amarrado por um rabo de cavalo bem meia boca. Meio bêbada – e nem aí pra isso – e com um casaco que eu havia visto numa promoção.

E muito, muito mais real do que o próprio cara que, àquela altura, já havia deixado de ser uma paixão platônica, pra se tornar nada mais do que “o marido da fulana”.

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Férias!

Este blog está de férias!

Voltaremos com a programação normal em 28.11

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Como não parecer um turista

Esse site é muito divertido. Mostra os looks, dicas e atitudes pra você não parecer um turista nas suas viagens… turísticas.
Aqui em São Paulo a gente reconhece os gringos de longe. Com certeza lá fora a gente também tem cara de “eu não sou daqui”.

Vale dar uma navegada!

Retrato de um viciado quando jovem

Essa história da ocupação na USP tem sido retratada de diversas formas pela imprensa. O caso dos estudantes que foram pegos pela polícia no estacionamento da FFLCH enrolando um baseado já foi espinafrado por algumas revistas semanais, virou tema de editorias nos grande jornais, matéria na TV, artigo escrito por intelectuais, debates, debates, debates…

Primeiro eu me pergunto por onde anda Fernando Henrique Cardoso nessa hora.

Depois, fico pensando por que tanto alarde por um baseado na USP e tanta indiferença com a cracolândia. São Paulo é mesmo a cidade da discrepância.

E aí me lembro de um dos livros mais atordoantes que já li: Retrato de um viciado quando jovem.

Bill Clegg é sócio de uma promissora editora em Nova York e rapidamente ele passa ganhar muito dinheiro com o negócio, frequentar festas, eventos da alta sociedade e ser reconhecido pelo sucesso.

E com a mesma velocidade ele experimenta e se vicia em crack, uma droga que na época era sinônimo de glamour, como já aconteceu com a cocaína. E a descida até o fundo do poço é talvez mais rápida ainda do que a subida ao sucesso.

O autor conta detalhes do vício, sem hipocrisia, sem julgamentos, sem tentativas de se explicar e sem o tom de auto-piedade. É  um retrato mais humano do viciado, sempre comparado com zumbis nos grandes centros urbanos.

Cada recaída, cada festa, cada cachimbo aceso é narrado sem papas na língua.
Passei semanas meio desnorteada, pensando na história. Fiquei realmente chocada.

O autor está “limpo” há cinco anos e o livro fez um barulho tremendo nos Estados Unidos. Dá pra ler em um dia se você tiver fôlego.
Como eu tive que parar pra respirar, li em dois dias.

O livro faz referência ao livro Um retrato do artista quando jovem, de James Joyce, que eu ainda não li.
É da Companhia das Letras, por isso é bem fácil de achar em qualquer livraria.
Não me lembro quanto eu paguei na época (já faz uns quatro meses), mas vi por aí que está em torno de R$40,00.

A segunda é minha: A classe média e a piscina

Não existe iPod no mundo que iguale mais a classe média do que a piscina do prédio.

Aqui, não há elevadores de serviço para dividir você, caro amigo que acaba de fazer a troca anual do carro popular, daquelas crianças catarrentas do 111. Ou daquele casalzinho xexelento do 702.

Não, aqui as cadeiras são as mesmas para todo mundo: Você e o gordo do 303 sentam-se lado a lado, e chegam até a se estranhar um pouco, mas logo ele pega as suas Havaianas achando que são as dele, faz uma piada dizendo que as suas estão mais acabadas, e vocês dão risada com a lata de Itaipava bombando na mão. Dele, claro. Você toma Boemia.

Aqui na piscina as bolsas térmicas da Sadia também se confundem, e não fosse pelo seu senso de observação e astúcia, aquela gorda do 801 teria levado a sua, recém-comprada, ao invés da dela, que já está com sinais do tempo.

É aqui, nesse grande tanque azul, que todo mundo se cumprimenta e pergunta “das crianças” e no dia seguinte, mal se olham na cara lá na garagem. Mas tudo bem, estamos na piscina, o local democrático do nosso condomínio. É aqui que a classe média vai ao paraíso.

Quando o domingo amanhece ensolarado, você já teme daí de cima que vai ser um dia longo. A criançada já está toda lá em baixo aos berros umas com as outras, sendo constantemente reprimidas pelas respectivas mães já besuntadas em óleo, embora seja terminantemente proibido o uso de protetor solar e bronzeador na piscina do Condomínio Ville de Bayard.

Ao longo do dia muita gente passa pela piscina, mas o número de crianças nunca diminui, apenas aumenta com o passar das horas. Exceto na hora do almoço, quando eles são obrigados a vestir o shorts e subir pra comer. Normalmente sob os berros das mães que não descem pra piscina. Nem para chamá-los. Nessa hora a cabeça pra fora da janela é muito mais eficiente, ainda que do 5º andar.

É nessa hora que você respira fundo, coloca os chinelos, toalha no ombro, Veja em baixo do braço, e desce. Procura por uma sombra, dá uma rápida passada d’olhos na gostosa do 4º andar e tropeça na cadeira dela.

Tentando se recompor, cumprimenta a todos e se encolhe no canto perto da ducha, que é o único livre. A cada 5 minutos a gostosa do 4º vai se banhar na ducha e passa mais uma demão de Banana Boat e você se esquece do pudor novamente.

Os 24 minutos em que as crianças estão almoçando são mais curtos do que a matéria de capa da Veja, e num piscar de olhos elas já estão todas lá de novo, pulando e jogando água em todo mundo, gritando e tentando afogar umas as outras. Você pensa que poderia fazer isso com facilidade, mas logo volta pro seu foco: a vizinha, digo, a Veja.

E resolve que é melhor continuar lá de cima, longe das crianças, ainda que a vista não seja tão apreciável.

Na segunda-feira, encontra todo mundo na portaria, mas se esquece de dizer bom dia. Passa pelo porteiro e comete o mesmo esquecimento corriqueiro. Falar com os vizinhos de novo, só no final de semana que vem. E se fizer sol.

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A segunda é minha. Ou pedra na vidraça dos outros é refresco

Como diz o guru da filosofia boêmia Xico Sá, “só quem tem amante na firma gosta da segunda-feira”.
Então, pra deixar a segundona gorda um pouco mais digesta, e como na firma só tem mulher, inaugurei uma nova categoria aqui: A segunda é minha. Se no resto do blog eu falo dos livros, contos e textos dos outros, aqui eu sou a vidraça e publico os meus próprios textos da madrugada.
Aceitamos pedras de todos os tamanhos, formas e cores.

Divirtam-se!

Budweiser sócia da Braskem

A primeira vez que eu tomei Budweiser foi na Argentina. Achei a cerveja tão aguada, que não conseguia entender por que as pessoas só bebiam aquilo na balada.

Aqui no Brasil a Budweiser acaba de chegar, compondo o portfólio premium da Ambev. E como quase tudo da Ambev, pegando pesado: patrocínios de shows e até (não sei porque eu ainda me espanto) eventos esportivos como UFC e a Copa do Mundo.

Na sexta eu pude – ou melhor TIVE que, já que não havia opção – dar mais uma chance pra Budweiser, pois fui ao show do Pearl Jam, um dos 20 eventos desse tipo patrocinados pela marca só até o final do ano.

Me pareceu que a cerveja daqui – produzida na fábrica da Ambev em Jaguariúna – era um pouco menos aguada do que a dos hermanos argentinos. Mas o que me deixou curiosa nem foi o gosto mais ou menos da cerveja, e sim os copos onde ela era servida.

No gramado do Morumbi você podia comprar uma lata de Budweiser por R$6,00. O pessoal que passava com isopor – muito organizado e bem servido, por sinal, e não faltou cerveja – servia uma lata num copo de plástico grosso e transparente.

O conforto de ser servido na pista te privava porém de “ganhar” um copo mais bacanudo da marca, em 3D, de plástico mais grosso ainda, que dava vontade de levar pra casa  ou mesmo – na minha ingênua cabeça – usar de refil.

Aí sim eu achei a iniciativa bacana: Vá até os pontos de venda na lateral do estádio, compre sua cerveja num copo mais legal e use de refil para as próximas geladas. Isso sim faz a Ambev ficar com pinta de ecologicamente correta.

Mas isso tudo, repito, na minha cabeça ingênua. Enquanto Eddie Vedder emocionava os fãs nas mais de duas horas de show,  o que eu mais vi foi gente com uma pilha enorme de copos bacanudos na mão, um tremendo desperdício. Além dos copos mais fininhos e sem graça que estavam aos montes espalhados pelo chão… Plástico que não acabava mais.

Pra Ambev, fica a dica: Diminuam o valor da cerveja pra quem vem com o refil na mão. Sem copo novo, a cerveja custa menos. Aí sim =)

Fico devendo a foto do “copo bacanudo”. E, claro, o título é só uma piada…

 

Azul-Corvo

Aí, que chegaram no meu trabalho os livros finalistas ao Prêmio São Paulo de Literatura. (Uma atualização: O Prêmio foi em agosto e os vencedores foram Rubens Figueiredo e Marcelo Ferroni)

Voltando aos livros. Eles – todos os 20 finalistas – chegaram, e o primeiro que eu peguei foi Azul-Corvo, da Adriana Lisboa, uma escritora carioca que mora nos Estados Unidos.

O romance é contado por uma menina, Evangelina, que perde a mãe e parte para os Estados Unidos, mais precisamente para o Colorado, em busca de alguma pista sobre o pai desconhecido. Chegando lá, encontra Fernando, um ex-guerrilheiro com quem a mãe da garota se envolveu no passado.

Vanja passa a viver na casa de Fernando, que a ajuda na busca por informações sobre o verdadeiro pai. A convivência entre os dois desconhecidos é parte do romance, e as histórias narradas por Fernando também fazem a garota conhecer melhor o passado da mãe recém-falecida.

Como a escritora vive nos Estados Unidos há algum tempo, a descrição do clima e da paisagem do Colorado ao longo da mudança das estações vai te levando para um cenário incrível. Eu dividiria os livro entre a convivência dos personagens, a busca da garota pelo pai e a descrição geográfica do local.

O desfecho de Azul-Corvo me deu um susto. A história não dá pistas de que vai te levar para o lugar onde chega. Mas isso eu deixo pra quem for ler o livro, que é um romance delicado, com uma rasa passada pelos anos da ditadura brasileira e desperta no final, um certo sentimento de compaixão pelos personagens principais.

Compra lá!
Esse eu não tenho porque peguei emprestado, mas dei uma sondada e custa cerca de R$25 comprando pelos sites das livrarias.
A editora é a Rocco.

Pra saber mais: O site da Adriana é esse aqui.

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