Pornopopéia

Eu poderia começar este post dizendo o quanto eu me apaixonei pela figura sedutora e cafajeste do personagem principal de “Pornopopéia”, o próprio autor Reinaldo Moraes.

Mas não, como esse não é um blog sobre a minha vida afetiva, não vou dizer que passei semanas pensando no quanto eu poderia encontrar o autor no Mercearia tomando uma cerveja ao lado do Xico Sá e que, ao me ver entrar no meio da multidão, ele daria um gole e viria em minha direção, com os mesmos olhos famintos do personagem Zé  ao ver uma mulher qualquer passar.

Não, o que eu vou dizer pra vocês é que, afora o personagem ser o cafajeste que toda mulher adora conhecer e detesta se envolver, Pornopopéia talvez seja o meu livro favorito de todos.

No começo, cheguei a dizer que Pornopopéia era uma punheta de 660 páginas. assim, publicamente no Twitter. Porque a história demora um pouco pra te envolver.

Mas,  depois de uma centena de páginas a coisa muda.  E muda mesmo, passando do cenário da produtora onde Zé trabalha para uma suruba. E aí, não há quem consiga desgrudar do livro. E quando terminou, eu senti um vazio na cabeceira da minha cama.

Essa é, de longe, a história mais descritiva que eu já li. O autor é brilhante em descrever com detalhes cada local ou situação, de cada passagem que ele vive. Escrito em primeira pessoa, narra talvez 10 ou 15 dias vividos intensamente e rico em detalhes – veja bem, são mais de 600 páginas. Haja detalhes pra falar de duas semanas. Eu mesma as vezes vivo um mês que dá pra resumir em 140 caracteres facilmente.

Eu confesso que fiquei com vergonha de levar o livro pra ler no ônibus. A riqueza em detalhes inclui, principalmente, as peripécias sexuais do personagem. E aí, tire as crianças da sala, porque as “cenas” são picantes. Tome fôlego – e talvez um copo d’água – e vá em frente. A história te leva para os lugares mais inimagináveis em questão de parágrafos.

No final, você vai ser ver pensando no personagem como alguém real, torcendo por ele, apesar das incontáveis cagadas ao longo do caminho. Literatura brasileira de primeira. Incomparável. Pornograficamente bom.

Compra lá!
Eu comprei a minha versão “de bolso” (dá pra chamar um livro de tantas páginas assim de “versão de bolso”?) no Festival da Mantiqueira, numa tenda da Saraiva.
A editora é Ponto de Leitura, e eu paguei R$19,00 =)

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O meio é a massagem

Eu passei a faculdade inteira ouvindo falar desse livro e só agora comprei. Tudo bem, antes tarde do que nunca. E melhor agora, que saiu essa nova versão com um papel bacanudo e com notas do produtor Jerome Argel, comemorando o centenário de nascimento do autor de “O Meio é a Massagem”, o dito profeta Marshall Mcluhan.

Profeta, porque o livro, escrito em 1967 poderia ter sido escrito hoje, exatamente do jeito que está.
Clássico da comunicação, bíblia de muitos professores meus – e eu não to exagerando, O Meio é a Massagem provoca questionamentos sobre o público e o privado, a informação e o direito autoral, aldeia global (alguém falou em Umberto Eco?) e a “circuitação eletrônica” – veja bem, em 1967, o cara já sabia o que seria a Internet e a era digital.

Item básico em qualquer prateleira é grande fonte de pesquisa de teóricos da comunicação. Pra vocês terem uma ideia, em 1967, McLuhan já pensava assim:

“… A invenção da imprensa criou um pensamento linear, ou sequencial, separando o pensamento da ação. Hoje, com a TV e a música, o pensamento e a ação estão mais próximos e o envolvimento social é maior. Podemos viver de novo em uma aldeia global. Sacou?”

Isso tudo usando ilustrações, charges, cartuns e fotos. Nada mais visual e moderno.

Se o título te deixou curioso, eu posso te dizer que, depois de ouvir várias histórias sobre essa misteriosa “massagem”, eu enfim, descobri a verdade: O título foi escrito errado.  Originalmente era pra ser “The medium is the Message”.  Quando McLuhan viu o erro, achou genial: “Deixa assim! É ótimo! Acertou na mosca!”

Por isso, quatro interpretações podem ser feitas só do título – imagine do resto do livro:
Message (mensagem);
Mess age (era da bagunça)
Massage (massagem)
Mass age (era da massa)

“… Eu nem sei direito, senhor, nesse momento – pelo menos eu sei quem eu era quando acordei de manhã, mas eu acho que já mudei várias vezes desde então”.
Podia ser pra mim.

Compra já!
Editora Ímã
Por volta de R$35,00
(comprei na Cultura)

Do bem

Me deparei com uma pilha dessa num supermercado na Zona Sul do Rio, feita de um tal de “Suco do bem”.

A proposta parece bem interessante: Caixinhas coloridas com sucos de frutas sem conservantes. Ou “conservadores” com diz na embalagem.

Comprei duas, uma de limão e outra de laranja. O primeiro é super doce e tem gosto de chá. O de laranja, que promete o frescor de um suco recém-feito, não é nada diferente do “Fruthos” que a gente compra aqui em casa. Com a diferença do preço…

Pra quem já morou fora, ou viajou para o exterior, sim, você já viu esse filme, bem aqui, na marca Innocent.

Pra quem quiser saber mais, clica aqui pra entrar no site, e assista a esse vídeo (que não tem informação alguma, mas eu achei bem produzido)

Nêmesis

Eu confesso que comecei tarde a ler Philip Roth. Meu primeiro livro dele foi o último lançado, Nêmesis. E tá aí um escritor que já entrou pra minha lista de Favoritos.

A história se passa no verão de 1944, na vizinhaça de Weequahic, em Nova Jersey (mesmo local onde o autor cresceu), acometida por uma epidemia de Póliomelite (você se lembra dessa doença? Pois é, nem eu. Fui dar um Google depois…)

“Bucky” Cantor é o personagem central, um judeu (mais uma semelhança com a vida real do autor) de 23 anos, criado pelos avós, frustrado por não ter sido convocado para a guerra, saudosista dos amigos que lá estão, e inspetor das crianças num pátio da redondeza, que se vê diante da impotência ao longo do aumento do número de casos de crianças acometidas pela pólio.

Este é o cenário usado pelo autor para contestar o que é justiça e a própria presença de Deus (ok, sei que essa já é uma característica dos livros dele), nessa tetralogia que contém ainda Homem Comum, Indignação e A humilhação (todos na lista, todos na fila!).

Mesmo com a dureza da história, eu li  o livro em uma semana. Ao longo dos capítulos a narrativa te indigna, inquieta, e te faz contestar junto com o personagem.

O texto, em terceira pessoa, te coloca ainda mais uma questão: Quem é o narrador, que parece conhecer tão bem a história de Bucky?

Se você descobrir, conta aqui =)

Finally!

E finalmente eu criei, alimentei e eduquei a vergonha da minha cara e ela me fez tomar uma atitude.
Saí do Blogspot e vim para o WordPress por motivos práticos, mas não menos atraentes.

Infelizmente eu não consegui trazer o conteúdo dos blogs antigos pra cá (acreditem, eu tentei), então, bora começar do zero!

Espero que gostem e se acostumem com a nova cara sem vergonha.

(Já tenho várias coisas legais pra colocar aqui. Aguardem!)

Foto daqui

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