E se os escritores tivessem Instagram?

Rá! Já imaginou?

Pois o pessoal do Buzzfeed sim! Dá uma olhada na criatividade dos perfis, das fotos e até dos supostos comentários que Leo Tolstoy, por exemplo, teria.

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Ou na fofura do Hemingway com seu gatinho

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Dá pra acreditar?

Para celebrar a primavera (e o fim de semana)

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Sim, pode comemorar. Finalmente o inverno se foi. Nesse fim de semana inicia-se a aclamada primavera. Sei que a gente não fica tão pirado com essas mudanças de estação quanto os gringos – afinal, as mudanças para eles são muito mais bruscas – mas nada impede que a gente comemore o fim dos dias friorentos por aqui.

E para celebrar, fiz uma pequena lista de coisas bacanas que estão rolando nesse fim de semana.

Se a vibe for ficar em casa, a dica é filosofia moderninha. Companheiro do badalado filósofo-pop Alain De Botton, o escritor Roman Krznaric, autor de Como encontrar o trabalho da sua vida (editora Objetiva), parte de uma coletânea da School of Life (que, aliás, é sensacional. Se você estiver se questionando sobre seu trabalho nesse momento, e estiver a fim pensar sobre o assunto com mais profundidade, vale super a pena!), acabou de lançar Sobre a arte de viver.

Eu peguei ontem pra ler, por isso ainda estou bem no comecinho. Mas estou gostando. E acho o máximo esse tipo de filosofia mais moderna, pé no chão, que trata de coisas mais as claras e sem muito rodeio.

Sobre a arte de viver

*Editora Zahar, R$ 44,90

Agora, se você ficou tocado pelo autor, mas tá a fim mesmo é de sair de casa, por coincidência – juro! – ele estará em São Paulo nesse fim de semana! Anota aí na agenda: Domingo, dia 22, às 11h no Teatro Augusta, em São Paulo. Já no outro domingo, dia 29, ele estará no Rio, no Teatro Tom Jobim. Ambos os eventos são organizados pela The School of Life, então entra lá na página deles pra ter mais informações.

Ainda na vibe outdoor, nesse fim de semana está rolando a Paulicéia Literária, a feira literária de São Paulo. Ignácio de Loyola Brandão, Edney Silvestre são alguns dos nomes bacanas confirmados. O evento acontece na Associação dos Advogados de São Paulo e vai até domingo.

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Ah! Até domingo a Livraria Cultura está dando 50% de desconto em mais de 200 títulos da editora Penguin. Entra aqui e dá uma olhada. Tá cheio de clássicos!

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Mergulhada em Pagu

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Por causa de uma matéria que vou fazer, estou, há uma semana, mergulhada na vida de Pagu.

Por causa desse mergulho, estou, há uma semana, à flor da pele.

Pensei em falar sobre a vida dela aqui, mas seria inútil concorrer com o Google. Então, resolvi separar algumas coisas que estou encontrando pelo caminho.

Uma delas é um trechinho do que os historiadores dizem ser primeiro romance proletário do Brasil, publicado pela Pagu em janeiro de 1933, aos (!!) 22 anos: Parque Industrial.

A burguesia combina romances medíocres. Piadas deslizam do fundo dos almofadões. Saem dos arrotos de champanhe caro. O caviar estala nos dentes obturados.
[…] Dona Finoca, velhota protetora das artes novas, sofre galanteios de meia dúzia de principiantes.
-Como não hei de ser comunista, se sou moderna?
[…] Nos jardins, os conjugues se trocam. É o culto da vida, na casa mais moderna e mais livre do Brasil”

A passagem é uma crítica às festas burguesas das quais ela mesma participava nos tempos em que frequentava a casa de Tarsila do Amaral e de dona Olívia Guedes Penteado, e reforça a teoria do Partido Comunista na época de que, para ser comunista é preciso ser proletário.

Outra passagem que eu gosto muito é:

As garotas tradicionais que todo mundo gosta de ver em São Paulo, risonhas, pintadas, de saias de cor e boinas vivas […] Com um entusiasmo de fogo e vibração revolucionária poderiam, se quisessem, virar o Brasil e botar o Oiapoque perto do Uruguai. Mas d. Burguesia habita nelas e as transforma em centenas de inimigas da sinceridade. E não raro zangam e descem do bonde, se sobe nele uma mulher do povo, escura de trabalho

De um artigo que ela publicou no dia 13 de abril de 1930, na oitava e última edição de O Homem do Povo, semanal fundado por Pagu e Oswald, com o título “As normalinhas”.

E tem um trecho em Paixão Pagu, em que ela fala da inseparável irmã mais nova, Syd:

Mas Syd cresceu. Ambicionando meus gestos, meus atos. Se plasmando em mim. Se constituindo em mim. Acreditava na minha coragem, na minha força, na minha vontade, em meu raciocínio. A minha iniciativa era a dela e me seguia procurando a personalidade aparente. Dor de punhais que se introduzem para conhecer o avesso. É difícil explicar essa espécie de prisão dolorosa. Saber que a vida, a maneira de ser, pretende ser repetida. Eu adorava Syd. Eu era infeliz e vacilante. Mas queria ser infeliz sozinha. A responsabilidade que eu sentia era um tormento diário. Eu queria estar sozinha

Acho que, em momentos de “revolução”, olhar pra trás nos inspira a continuar em frente.

Só o que não para de doer permanece na memória“, Nietzsche, citado em “Dos escombros de Pagu“, de Tereza Freire (Editora Senac).

Para ler  mais: Paixão Pagu, a autobiografia precoce de Patrícia Galvão; Croquis de Pagu, organizado por Lúcia Teixeira Furlani e Pagu vida e obra, de Augusto de Campos.

Da série de sites que gostaríamos de ter

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Wendy Macnaughton é uma ilustradora norte-americana supercriativa.

Além dos trabalhos incríveis, o site dela é uma inveja a parte.

Aqui

 

Sopa de letrinhas

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Outro dia fui entrevistar a chefe Gabriela Barretto, do Chou, um restaurante bem fofildo em São Paulo.

A história dela é bem bacana. Antes de resolver estudar gastronomia, ela se formou em letras, porque sempre amou ler. O problema é que na faculdade ela tinha que ler tanta coisa chata, que ficou com medo de perder o amor à leitura.

O resto da história dela tá na Istoé Gente deste mês. Mas, como não podia deixar de ser, tirei uma casquinha rs.

Perguntei a ela qual seu livro favorito. Eis que ela me apresenta para  Mary Frances Kennedy Fisher (na foto), ou simplesmente MFK Fisher, como costumava assinar.

Essa escritora norte-americana era uma especialista em literatura voltada para a gastronomia. Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, ela escreveu seu primeiro livro (ao longo da vida escreveu mais de 20), e um dos mais famosos – um dos favoritos de Gabriela também – Como Cozinhar um Lobo, contando como comer com dignidade em tempos de guerra.

As tiradas são fantásticas, o texto é bom e o contexto igualmente importante. Você já parou pra imaginar como as pessoas faziam quando tinham de economizar gás, ou como lidavam com a escassez dos alimentos? Como as donas de casa se viravam nos 30 para levar à mesa uma refeição enquanto o lobo batia em suas portas?

Esse é o pano de fundo para inúmeras reflexões em relação à comida e ao modo como comemos. Além da importância histórica, o livro traz várias receitas. Muitas delas bem fora da nossa realidade, mas é legal saber o que era servido na mesa naquela época. Criatividade era a palavra-chave.

Dica valiosa! E eu, empolgada que sou, corri pra Estante Virtual (aliás, tô viciada!) e comprei esse livro. E já que eu estava por ali mesmo, aproveitei para levar outra obra da autora: Um Alfabeto para Gourmets, que eu ainda não comecei a ler. Mas jajá tem resenha.

 

*Ambos são da Companhia das Letras
Como Cozinhar um Lobo: R$ 39,50 (eu paguei R$ 15 no sebo virtual /)
Um Alfabeto para Gourmets: R$ 43 (no sebo virtual saiu por R$ 10. Entenderam o motivo do meu vício?)

PS: A Gabriela me deu mais uma dica além dessa. Próximo post!

Esse não é mais um livro sobre um viciado em drogas

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Além daqueles livros que estão em destaque na livraria, ou no topo da lista dos mais lidos das revistas semanais – e nos deixam curiosos para saber, afinal, o que esse livro tem que faz tanto sucesso? –  e dos que têm capas convidativas – convidativa, neste caso, é um eufemismo. Tenho uma amiga que me disse uma vez, sem vergonha alguma, que comprava os livros pelas capas. Eu descobri que faço muito isso, mas não tinha coragem de assumir. Então tá aqui, publicamente: eu julgo o livro pela capa – os livros que a gente lê dizem muito do momento que estamos vivendo.

Já faz um tempo que biografias de viciados em drogas me interessam. E isso não é coincidência. É claro que alguma coisa na minha vida me leva a tentar entender o que passa na conturbada vida de alguém que vai por esse caminho. E honestamente, tenho descoberto muitas coisas que têm me ajudado muito.

Apesar de sofrer muito, esse tipo de literatura realmente me ajuda a entender muita coisa. Não faz passar a dor, mas quanto mais informação a gente tem sobre um assunto, menos difícil se torna lidar com ele.

Por isso caiu em minhas mãos a biografia do ex-jogador e comentarista de futebol Walter Casagrande. Comecei a ler ontem. Terminei hoje.

Casa Grande e seus Demônios“, escrito pelo próprio, e com co-autoria do jornalista esportivo Gilvan Ribeiro, o primeiro capítulo já é, de cara, sobre a pior fase de “Casão”: O pico do vício em drogas, o fundo do poço, quando as alucinações passaram a ser tão pesadas, que ele via demônios por seu apartamento. A mistura de heroína com cocaína, maconha, tranquilizantes e bebida alcoólica o levara ao pior dos mundos. E os detalhes não são economizados. E o leitor, por sua vez, não é nada poupado.

Quatro overdoses – uma, inclusive, na presença de um dos três filhos – e algumas tentativas de internações não foram suficientes para tirá-lo das alucinações demoníacas. Foi só quando ele sofreu o acidente de carro em 2007, que a internação compulsória lhe surtiu efeito, um ano depois.

Mas a história não se resume ao problema com as drogas. Se você gosta de futebol, vai se divertir saboreando deliciosas histórias de partidas, viagens, discussões, amizade entre Casão e diversos jogadores. E se você é corintiano, a diversão vai ser em dose dupla, vai por mim.

Falar sobre a droga nessa biografia é inevitável, porque, como em toda história de um viciado (ou ex-viciado neste caso), ela permeia a vida do protagonista. O vício não surge de um dia para o outro. A relação com a droga – ou qualquer outra substância viciante – começa muito antes da pessoa imaginar que poderá ter algum problema com ela.

Com o Casão não é diferente. O caminho maconha-bebida-cocaína-vício é religiosamente percorrido até chegar ao fundo do poço. Mas a história não se resume a isso.

O livro tem grandes histórias de bastidores, coisa que só quem conhece muito bem Casagrande poderia saber. Como, por exemplo, sua briga com Sócrates – e depois a reconciliação – ou o dia de seu casamento e como Casão fez para conquistar a mãe de seus filhos.

Enfim, esse não é mais um livro só sobre um viciado em drogas. Além dessa obsessão que temos por histórias pesadas, a obra é feita de outros fatores capazes de segurar uma boa leitura de final de semana.

 

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*Editora Globo Livros
R$ 34,90

A elegância do ouriço

IMG221Belo livro, sem dúvida.
Mas peca pelo excesso de devaneios e pelo final imprevisivelmente clichê.

*Companhia das Letras
R$ 46,00

Sampa, por Caio Fernando Abreu

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Sampa é definitivamente um caso de amor mal resolvido, sabe como? Você já amaldiçoou mil vezes a vez em que a conheceu, você já deu na cara dela, ela já deu na tua cara (vezenquando ficam marcas feias, roxuras, inchaços, cicatrizes), você já bateu forte a porta de casa jurando vingança e nunca mais voltar. Perfídia, injúria: abolerados blues. Mas voltou sempre… Diz que até o ano 2000 abre uma fenda embaixo de Sampa e engole tudo. Deus, eu preciso dar um jeito de acabar com este caso. Devolva minhas cartas e minhas fotografias, diaba.

Apesar de tudo, para sempre teu,

Caio Fernando Abreu

 

Eu tenho mania de marcar meus livros enquanto os leio. Depois de algum tempo, volto pra dar uma olhada e percebo que nem tudo o que está marcado lá continua fazendo sentido. Às vezes faz sentido nenhum. Às vezes eu marcaria outro trecho, completamente diferente. Este acima, encontrei marcado na biografia do Caio F, escrita pela Paula Dip (Para sempre teu, Caio F, da editora Record, R$ 64,90), que li no finalzinho do ano passado. Ainda faz um sentido enorme pra mim.

A autora que me deixou órfã

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Já tinha ficado alucinada com a Jennifer Egan quando li A visita cruel do tempo (post aqui!). O livro é bom, me fez pensar para poder acompanhar, é cheio de ligações que você precisa fazer sozinho para poder entender. Enfim, foge dos romances fáceis e é bom demais.

Quando disse isso a uma amiga, na hora ela me perguntou se eu já tinha lido O torreão, que chegou ao Brasil depois de A visita cruel do tempo, mas, na verdade, foi publicado antes, em 2006 (A visita cruel foi escrito em 2011).

A história gira em torno do jovem baladeiro Danny, que vai visitar seu primo-problema num castelo na Europa Oriental. Já no primeiro capítulo, somos deparados com uma história traumática ocorrida na infância dos dois e que vai permear todo o romance narrado na vida adulta deles.

Com a proposta de bancar o primo desempregado no castelo, em troca de ajuda para reformar o prédio e transformá-lo num hotel, o primo atrai Danny para o fim do mundo, onde não há TV, internet e nem sinal de celular.

Parece pouco sombrio, mas a história mistura um pouco do realismo fantástico com um suspense e algumas questões familiares (embora esse não seja o centro da narração), deixando cada capítulo mais tenso do que o anterior.

Em paralelo a isso, a autora vai narrando uma outra história, intercalada entre as histórias vividas por Danny no castelo.

Posso contar pouco, pois cada detalhe pode ser importante para juntar as peças do quebra-cabeça. E você não vai querer que eu entregue tudo de bandeja. Mas o que eu posso dizer é que li em dois dias, pirei, e, quando terminei, tive a sensação de estar sozinha, sem algo muito importante que estava comigo.

Jennifer Egan é a autora dos tipos de livros que quando acabam, deixam a gente órfã.

Pena que aqui no Brasil só esses dois títulos tenham sido lançados. Ambos pela Intrínseca. Ambos com lindas capas, e ambos ótimos presentes pra qualquer pessoa que ame ler.

R$ 29,90

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